O jornalismo foi a notícia da semana. E o jornalista que tenho à frente, neste estúdio da SIC onde nos sentamos para conversar, é o autor de uma denúncia de condicionamento pelo poder político da liberdade de expressão. A história é conhecida: contaram a Mário Crespo que, num restaurante de Lisboa, o primeiro-ministro se queixara dele a um “executivo” da SIC, o director de programas, Nuno Santos. Crespo escreveu uma crónica sobre o assunto, que foi rejeitada pelo JN, diz-se vítima de “censura” e vai editar em livro, hoje, quinta-feira, 11, uma colectânea de crónicas que começa com o texto da polémica. Esse é o melhor dos pretextos para uma conversa que não interessa só aos jornalistas: afinal, quais são os limites das relações entre quem informa e quem governa? Uma conversa sobre a responsabilidade dos media, pontuada pelo seu próprio caso, que Mário Crespo quer usar para um “combate” maior contra as “tendências admoestatórias e censórias”. Os jornalistas têm de deixar de ser reverentes, diz, mas isso não surte efeito nesta entrevista em que, teimosamente, o entrevistador trata o entrevistado por “você” e recebe, naturalmente, as respostas no “tu” da praxe.
Este é o pior momento na relação entre os jornalistas e o poder político, desde o 25 de Abril?
É, definitivamente.
Porquê?
É sempre complicado quando uma máquina de relações públicas, que aposta no predomínio da forma, ocupa o poder num Estado. Julgo que foi isso que aconteceu.
Para evitar que se conhecessem as falhas?
Para definir, sobretudo, uma imagem – trabalhar no sentido de criar a imagem do dia, a frase do dia, o acontecimento do dia.
E isso não é comum a todos os governos?
É. Uns com mais vigor, e com mais ou menos seguidismo da parte dos media. Outros não conseguem estabelecer essa magia de pactuação.
Os media são só passivos?
Fomos passivos tempo de mais. Houve também alterações muito substanciais nas estruturas editoriais de publicações-chave. Estou a falar, especificamente, do DN e do JN. Aí começa a notar-se a abissal diferença entre noticiário factual mas adversarial da linha do Governo e um noticiário, enfim… Mais com efeito, com spin, para transmitir a imagem que é criada pelo Executivo. E sem resistência, o problema é esse, com passividade.
Qual deve ser o principal dever de um jornalista?
A verdade. Essa é a única missão jornalística, não pode haver outra.
Hoje, fala-se de uma aparente dicotomia entre “jornalismo incómodo” e “jornalismo cómodo”…
Que é terrível…
O que distingue um do outro?
O jornalismo que fiscaliza e retrata a actuação do poder tem de ter uma componente adversarial.
Não é precisamente o contrário? Ser adversarial não hipoteca a fiscalização do poder? Não há uma fronteira ténue entre noticiar, fiscalizar e tomar partido?
Há. Não fazes o papel das oposições, mas fiscalizas o poder.
A tarefa principal do jornalismo não é dar a conhecer o mundo, para que as pessoas façam o seu próprio juízo?
Mas é impossível agradar a todos. Uma sociedade clubística, como a nossa é, tende a querer ver, ou ler, aquilo em que já acredita. Odeia ser contraditada.
E agora estamos numa fase próxima do túnel do Estádio da Luz?
Muito próxima disso. Sobretudo quando os períodos eleitorais tendem a ser crispados, essas tendências acentuam-se. Sinto isso no meu trabalho. As pessoas odeiam um ponto de vista com que não concordam, e adoram rever-se no conforto de uma repetição.
Ser pivô de uma estação noticiosa e ter uma crónica de actualidade política não é conflitual?
Tenho a sorte de não estar com um noticiário convencional na mão.
O seu é um noticiário com assinatura?
Com assinatura, muito editorializado. Já apresentei notícias repugnantes sobre condutas públicas e acabei a perguntar: “Que País é este?”
Prefere um noticiário assim?
Prefiro. Acho que é um alerta para as pessoas reflectirem. As pessoas têm medo. Este episódio recente desinibiu algumas pessoas. Não é uma reflexão que pudesse ser feita na introdução a um livro de combate, como o que eu vou fazer, mas devia ser feito um estudo detalhado sobre não se poder reproduzir uma conversa privada, como alguns defenderam… Porquê?
Já tinha pensado sobre isso antes?
Já, na altura em que as escutas foram reproduzidas. Se há aqui um atentado ao Estado de Direito, e há, ou pelo menos configura-se como tal…
Isso não é uma pura convicção?
Então deixemos a prova ser produzida e apresentemos os elementos que temos. Que direito temos nós de reter elementos probatórios? Não temos.
Não compete aos jornalistas investigarem, autonomamente, e apresentarem aos seus leitores mais do que as conclusões de uma acusação oficial?
Nós não somos um magistério de instrução criminal. A nossa investigação tem muito menos meios que a de uma polícia ou do Ministério Público… Não nos podemos substituir a isso, nem é expectável que tu, de uma edição para a outra, consigas descobrir coisas que a Justiça não descobriu.
Não há uma área da vida privada que seja interdita ao jornalismo?
Há, tem a ver com o bom-gosto. Não tenho interesse nenhum na vida privada das pessoas. As pessoas só têm significado na medida em que sejam agentes públicos, pelo menos no jornalismo que eu pratico. Eu não faço tabloidismo de escândalos. Não me interessa nada uma fotografia de Sócrates na praia, ou a de uma namorada que ele eventualmente tenha. É-me completamente indiferente, nunca a usaria. E foi uma questão que muitas vezes defendi, contra a corrente, durante o caso Casa Pia, sobre qual era o material gráfico que se podia usar.
O caso Casa Pia é um bom exemplo. Foram divulgadas escutas que induziam em erro: há aquela célebre escuta de uma conversa entre Paulo Pedroso e uma mulher que o Ministério Público afirmava ser um homem. Isso não nos devia fazer pensar que estamos perante material escorregadio?
Pode ser um erro, mas se eu tivesse acesso a essas escutas, ouvia-as. E publicava-as, se fossem importantes. E rectificava-as, se contivessem erros. Na situação em causa temos de pôr as coisas como elas são: temos um asilo público aonde um grupo de poderosos deste País vai molestar crianças menores. Não consigo configurar um crime pior do que este.
Mesmo que, no processo, sejam envolvidos inocentes?
É um risco. Mas pior é ter crianças num asilo público a serem molestadas por poderosos. Isso é que é insuportável para qualquer sociedade.
Acredita na ideia de uma “asfixia”?
Agora tenho uma prova palpável. Há uma tentativa de controlar aquilo que é dito, ou interpretado. O Governo de José Sócrates não quer ver apenas o facto noticiado de uma determinada maneira, também a interpretação do acontecimento – e o aplauso – tem de ser transmitida de uma determinada maneira. Fora disto, é o que o primeiro-ministro exemplarmente definiu como “jornalismo travestido”. Quem for adversarial é um travesti.
Como é que pode acabar este Benfica-Porto entre jornalistas e Governo?
É uma opinião completamente subjectiva, mas acho que este Governo não tem condições para continuar. Não tem condições estruturais, éticas. Como é que posso entrevistar o primeiro-ministro, sem lhe perguntar pelo Freeport, pela Face Oculta, pelas escutas que agora saíram, com matéria terrível? A pergunta que faço é: o que é a Ongoing? Numa altura em que ninguém tem dinheiro para nada, eles compram TV’s, compram acções. Não querem vender activos, porque não precisam. Meu Deus, o que é isto? De onde vem esta gente? E há outras…
Estava a ouvi-lo e a interrogar-me: alguma vez pensa “eu acredito nisto, mas não o posso dizer”?
Bom… Se for uma questão de vida pública, digo. Agora tenho alguma dificuldade para o escrever, e só posso publicar um livro de vez em quando…
Não recebeu convites para voltar a escrever crónicas?
Não. Em crónica, aquilo que me ocorria escrever, escrevia. É claro que o dizia de forma conveniente. Não dizia “eles são uns burros, são uns estúpidos”. Não digo que alguém é doido, que precisa de ir para um manicómio.
Uma vez, escreveu no JN sobre “as maluquices” do ex-ministro Manuel Pinho…
Só pode ter sido por aquela maluquice dos chifres, que outra palavra existe?
Vou agora ler-lhe uma apreciação de Eduardo Cintra Torres, no Público: “Crespo é hoje um verdadeiro porta-voz dos interesses informativos do Governo, um operário do agenda setting da central de propaganda” (2009). Como é que reagiu?
Eu conheço o Cintra Torres. Estou a par das associações dele com o Fernando Lima, em Macau. Eu fui muito crítico da Presidência da República e do Fernando Lima. Se fizeres uma extrapolação das datas repararás que a virulência da crónica do Cintra Torres começa, exactamente, naquela altura. Meu Deus, temos de viver com isso… Como se diz em inglês, it’s the nature of the beast…
É impossível controlar o preconceito, em jornalismo?
É impossível.
E, para si, isto é um crédito de independência?
Não, isto mostra apenas o absurdo das avaliações tendenciosas que se fazem. Se eu fui um porta-voz do Governo, sou agora um homem a abater pelo Governo.
Não há demasiada paixão nisto tudo? Não falta alguma frieza?
Somos latinos, somos oportunistas – perdoem-me a generalização -, temos lealdades, dívidas, pessoas que nos ajudaram, que são nossas amigas. Isso é o que acontece nas crónicas do Cintra Torres. Nestes últimos dias, uma das grandes experiências foi não conseguir ler os jornais. Não podia… Não podia contraditar o que de errado era dito. Fizeram leituras imensamente desviadas do foco. Disseram “afinal não houve almoço!”, quando eu nunca disse que tinha havido um almoço.
Mas, da leitura da sua crónica que o JN se recusou a publicar, podia subentender-se que tinha havido.
Podia, mas eu não disse. O que conta é o que foi dito, e foi ouvido, e foi reproduzido, e foi cruzado, e foi confirmado. E não foi desmentido.
Há alguma coisa nessa crónica que, hoje, alterasse?
Nada! Eu mantenho-a.
Nem em relação ao papel do “executivo de TV”, Nuno Santos?
Não. Eu devo dizer-te que nunca teria usado o nome. Nunca. De resto também há outra pessoa de quem eu nunca usei o nome. Era parte inerte da situação.
Na sua crónica, critica Nuno Santos, por não ter reagido aos insultos. Hoje já percebe melhor a situação?
É um facto que não houve reacção. Se eu manteria essa parte, hoje? O facto de ser um executivo da estação onde eu trabalho é determinante…
Embora não tenha nenhuma relação hierárquica consigo…
Não tem. Mas é gente de influência, no meio onde trabalho. Eu próprio tenho de admitir que não sei qual seria a minha reacção numa situação daquelas. Não mudo nada na crónica. O potencial fracturante de um episódio destes numa comunidade unida, como é a SIC, teria de ser objecto de uma catarse. E nós falámos todos, já falámos de uma maneira que não foi fria, nem foi descortês. Não foi entusiástica, mas foi muito cordial, de grande compreensão humana. Sentimos que fomos atirados para um turbilhão de acontecimentos e que era fundamental pôr um ponto final nisto.
A gravidade do que expunha, na sua crónica, não se centrava, precisamente, na tentativa de o condicionarem, através do “executivo de TV”?
Não. Provavelmente fui eu que me expressei mal, e disso penitencio-me. Não foi isso, nem o insulto. Ele [o PM] tem todo o direito de me insultar, de achar que sou uma besta. O foco da gravidade é ser um PM preocupado com a solução a encontrar para um jornalista que lhe é incómodo. E a dizê-lo em público, sem recato, sem medo de ser ouvido. O Nuno não tem nada a ver com isto.
Foi uma exibição de força do PM?
Pode ter sido… Ou de machismo. Havia presenças femininas, ali e nas outras mesas. Um exercício de poder mal-sucedido.
Era capaz de entrevistar José Sócrates?
Claro! Teria de começar por esta zona. E aceitaria sem agenda, porque não aceito entrevistas com agenda. Para já, perguntava-lhe “porquê tanta animosidade? Qual foi o ponto de viragem?” Mas seria um combate um pouco voyeurístico para quem o seguisse… Teria de saber o porquê do malogro do projecto que iniciou há quatro anos. Teve todas, todas, as condições.
Como é que tomou a decisão de escrever a crónica?
Foi um acto consciente, deliberado. A minha leitura é que o clima de intimidação brutal, a busca rápida de uma “solução”, foi o pretexto que Leite Pereira [director do JN] encontrou para resolver um problema que lhe seria incómodo.
E não concorda com o argumento de que era impublicável por ser um relato feito por outra pessoa?
Mas é assim que tu funcionas. Tu não assistes ao Conselho de Estado nem ao Conselho de Ministros. E não era o relato de uma pessoa. Houve uma pessoa que fez um relato inicial.
E que não conhecia?
Pessoalmente? Sei quem é. E tenho um nome, é identificável. Não se trata de ninguém das minhas relações. Mas é alguém que agora prezo imenso. Foi contra a corrente, contra o comodismo. Podia ter ficado no silêncio. E não, contou a verdade insofismável.
Nuno Santos disse que a conversa não se passou da maneira que o Crespo relatou…
Mas isso é a versão do Nuno Santos. Não a vou rebater, nem me interessa rebatê-la. Confirma local, hora, situação, encontro. Mas tenho duas versões sobre a conversa que coincidem, ponto por ponto.
Em 2008, escreveu que havia “um folhetim sobre o passado de Sócrates”. Chamou a isso “jornalismo ASAE”. Foi José Sócrates que mudou, a partir daqui ou, na altura, o Mário estava enganado?
Não gostei de uma série de coisas que se escreveram sobre a vida familiar do primeiro-ministro, da sua vida na província. Não é o meu estilo. Ponto. Questões como as credenciais académicas, isso já é uma questão de carácter. Questões como o Freeport, ele é o zelador da propriedade pública. Aí, ele tem de estar preparado para ser escrutinado. O Freeport é uma coisa gravíssima. O Pedro Silva Pereira ficou zangadíssimo porque eu lhe perguntei se a secretária privada de Sócrates era mesmo prima dele. Disse: “Não lhe respondo a isso!” Ficou afrontadíssimo. Era uma bagunça. Em crónica, tenho toda a legitimidade de dizer que bagunça!
Foi na sequência desses casos que escreveu o texto Façamos de conta?
Estava tudo tão perverso, que só indo para o bizarro é que se conseguia descrever.
Depois, fez um segundo texto, no mesmo registo, sobre o Presidente da República.
Sim, as coisas atingem um grau… Estamos numa altura tão triste da nossa vida pública, em que temos pessoas incapazes, inadequadas para as funções que desempenham, numa altura crítica da vida nacional. O País está a recuar. O nosso último desígnio nacional foi construir dez estádios de futebol. Foi o Euro, um campeonato de futebol! Estou ansioso pelo render das gerações. Desejo-o, avidamente. Encorajo jovens políticos. Vejo com entusiasmo e ternura aquela gente nova do CDS, ou do Bloco de Esquerda. Gente nova, empenhada, extremamente dinâmica. Quando vi a equipa do José Sócrates julguei que iam seguir numa direcção: deixar uma marca, ser uma espécie de governo de Olaf Palm. E não foi nada disso, foi uma imperdoável frustração. E preocupação com o meu País.
Quando começou a pensar em criar o Plano Inclinado, já pensava assim? Estava o a ouvi-lo e a ver o programa…
A ideia foi do António José Teixeira, mas a energia do programa é essa. É hiper-realista, quando muito. O fórum é muito aberto. Já disse ao venerável Medina Carreira, por quem tenho um respeito infinito, “o senhor refugia-se no ‘vocês é que têm a culpa’, mas o senhor já esteve no Governo, dê-me soluções”.
Os governantes não são, como os jornalistas, um espelho do País?
No epílogo do livro faço referência àquilo de que estivemos aqui a falar, e digo, no fim, que houve centenas, senão milhares, de pessoas que se me dirigiram. É impossível agradecer a todas. Respondo-lhes com um dos sms que recebi: o da solidariedade de Manuel Alegre pelo incrível acto de censura de que eu tinha sido vítima. Vindo de Manuel Alegre, para mim, tem uma importância inexcedível.
Manuel Alegre seria, na sua opinião, incapaz de fazer algo de semelhante?
Eu escrevo isso, por acreditar que, no Portugal que Manuel Alegre representa, um acto de censura não é contemplável. E o livro termina assim. É uma solidariedade de homem, que foi um soldado, na Guerra Colonial. Eu só não tive a coragem dele para me vir embora daquilo. Ele fez o que havia a fazer, não ficar. Como eu sinto que fiz bem em trazer o meu caso a público, seguindo o exemplo dele. Ele terá reservas quanto a muitas opiniões que dei mas, no que respeita ao acto de censura, ele é totalmente solidário. Isso é importante para mim. Diria que Portugal pensa assim. Enfim, haverá gente funcionária da Controlinveste que não pensa assim. Funcionários partidários que estão neste momento nos blogues a perguntar ao Cintra Torres se sabe alguma coisa de estranho sobre mim [risos]… Mas, de um modo geral, 99,9999% sentimos a dimensão do problema, e o que este valor representa para nós. E que, neste momento vale a pena defendê-lo.
O livro foi uma consequência disto?
Não estava nada pensado. Foi uma consequência da censura. A primeira vez que abordei a Zita Seabra, porque tenho admiração por ela, às 9 da manhã, contei-lhe que tinha uma crónica que fora censurada na noite anterior e que estava a pensar publicá-la com um conjunto de crónicas. Ela disse: “Publica-se e tem de ser já.”
Alguma vez pensou que seria mais confortável estar aqui, em estúdio, sem a carga das crónicas? Ou, pelo contrário, isso dá-lhe uma espessura que o pivô não tem?
Acho que sim. Uma vez, escrevi sobre a morte de uma gata, em minha casa. Foi uma coisa horrível. Tenho uma fotografia dela, no meu escritório. Tive um eco enorme, recebi mails e cartas. Passado um ano e tal, recebi uma carta de alguém que tinha passado pelo mesmo. Eu ajudei essa pessoa a fazer o luto. A crónica enriqueceu-me. Estou muito mais pobre sem a crónica do JN. Recebi uma mensagem de alguém do JN a dizer que tinha vergonha de lá estar. Eu disse que não, que não tivesse, porque o jornal transcende as pessoas.
E, no seu caso, para a história do jornalismo, o que é mais importante: o Mário Crespo repórter, pivô ou cronista?
O pivô não vale nada. Gostava de ser visto como entrevistador. Não queria ser visto como um apresentador. Transporto um jornalismo tradicional, do Orwell, do Hemingway.
Acha que a expressão de um ponto de vista é uma forma de ser verdadeiro com o público?
É. E o teste vai ser agora, com a mudança de Governo. E o “agora” pode levar meses ou anos. Se o comportamento mediático for de serenidade adversarial e começar, novamente, a escrutinar com rigor, o País avançará mais rapidamente. Com toda a franqueza, acho que a opinião é parte da descrição de um facto.
Começámos esta entrevista a falar de uma guerra entre política e jornalismo: a qualidade do jornalismo está a ganhar?
Acho que está. Para já, há um respeito mais pronunciado. Já ninguém olha para ti e diz “como é que se atreve a perguntar-me isso?”. Se nós conseguirmos acabar com esta tendência admoestatória e censória é o que ficará desde período de batalha campal diária.
Está a ser optimista…
Claro. Só seria pessimista se isto não tivesse solução por processo eleitoral democrático.