A geografia deu ao Japão a insularidade e o isolamento que sempre daí advém. Mas a isso acresce um espírito ilhéu ostensivamente fechado ao mundo. Mais uma vez: as generalizações podem ser falsificações, mas esse fechamento não é apenas uma atitude de desinteresse pelo que se passa fora das suas fronteiras. Resulta de mais de dois séculos de efetivo fecho das fronteiras japonesas, no período Edo (1603-1868). Estrangeiros, entravam pouquíssimos (basicamente coreanos e chineses), e o país estava vedado a europeus – só os holandeses podiam comerciar, mas ficavam numa ilha artificial/prisão, sem poder pisar solo nipónico. Tudo por causa dos jesuítas, que quiseram substituir a ordem social, religiosa e histórica do Japão por uma nova ordem, com um deus único e um soberano, na longínqua Roma, mandatado por esse deus. Se o Portugal moderno se define pelo seu cosmopolitismo e pelo crescimento para lá das suas fronteiras exíguas, a História do Japão é de isolamento e recusa de influências externas. As marcas do passado estão bem presentes nos dois povos. A nossa abertura tornou-nos maiores. O fechamento deles pode ser fatal.
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