A 10 de setembro, o governo dinamarquês levantou todas as restrições pandémicas, declarando que a Covid-19 já não constituía “uma ameaça crítica à sociedade”, numa altura em que quase 75% da população tinha a vacinação completa.
Os certificados digitais deixaram de ser obrigatórios para a entrada em discotecas e restaurantes, foram autorizados eventos de grande dimensão e deixou de ser obrigatório o uso de máscara nos transportes públicos.
Dois meses mais tarde, a variante Delta tornou a Europa no epicentro das infeções – 55% das novas infeções reportadas diariamente, são reportadas em países da Europa, a um ritmo de cerca de um milhão a cada quatro dias.
Nesse sentido, vários países estão agora a recuar e a instituir novas restrições, gerando dúvidas sobre como irão desenrolar-se os meses de inverno.
De acordo com a Reuters, a Dinamarca foi dos poucos países que optaram por levantar praticamente todas as restrições em setembro, depois de longos meses de medidas restritivas. O número de casos diários, que tinha estabilizado em cerca de 200 por dia em setembro, encontra-se agora à volta dos 2300.
A Reuters reporta ainda que o número médio de novas infecções registadas por dia na Dinamarca aumentou em mais de 1500 nas últimas 3 semanas, correspondendo a 44% do pico anterior.
A subida de casos levou a que, na segunda-feira, o país voltasse a instituir a obrigatoriedade do certificado digital para aceder a bares restaurantes e eventos com mais de 200 pessoas – medida que ainda está sujeita a aprovação parlamentar.
“Vários países europeus estão agora no meio da sua quarta vaga de Covid-19. Na Dinamarca estamos a caminho da nossa terceira vaga”, disse o ministro da saúde dinamarquês Magnus Heunicke na segunda feira.
A Dinamarca junta-se assim a outros países europeus que estão a reforçar as suas medidas. A Áustria, por exemplo, proibiu o acesso de pessoas não vacinadas a restaurantes e hotéis, e a Islândia re-introduziu a obrigatoriedade das máscaras e de regras de distanciamento social – ambos os países experienciaram um aumento de casos diários nas últimas semanas.
O Reino Unido, por outro lado, apesar de estar igualmente a lidar com um aumento na incidência do vírus, não planeia re-introduzir restrições em breve.
Apesar de a Europa ser agora considerada o epicentro das novas infeções, a União Europeia é um dos líderes na vacinação a nível mundial. Mas isso não significa que todos os países estejam a receber a vacina ao mesmo ritmo: enquanto países como a Dinamarca, Portugal, Islândia e França já tenham atingido taxas relativamente altas de vacinação (todos os países se encontram acima dos 70%), outras nações como a Roménia, Bósnia e Herzegovina e Bulgária ainda só vacinaram 34%, 22% e 21% da sua população.