A descoberta inesperada de uma pintura assinada por Adolf Hitler desencadeia um intenso conflito familiar em Isto É um Hitler Genuíno, peça do dramaturgo alemão Marius von Mayenburg, com encenação de João Cardoso. Em cena no Teatro Carlos Alberto (TeCA) entre 16 e 26 de abril, o espetáculo propõe uma reflexão incisiva sobre arte, memória e responsabilidade moral.
A narrativa acompanha Nicola e Philipp, dois irmãos que, ao esvaziarem a casa do pai recentemente falecido, encontram um quadro desconhecido assinado por “A. Hitler”. O achado levanta questões complexas: deverão vender a obra, preservá-la ou destruí-la? A discussão intensifica-se com a intervenção de Judith, mulher de Philipp e de origem judaica, que defende a destruição do quadro, ampliando o conflito para além do espaço íntimo da família.
Escrito em 2022, o texto de Mayenburg cruza o plano pessoal com o peso da história europeia, abordando o luto e a memória coletiva à luz do legado do Holocausto. Com um tom provocador e marcado por humor negro, a peça questiona o valor da arte e a possibilidade – ou impossibilidade – de separar a obra do seu autor.
João Cardoso e a companhia ASSéDIO regressam assim ao universo mordaz do dramaturgo, após O Feio, reunindo em palco um elenco composto por Daniel Silva, Gracinda Nave, Inês Simões Pereira, Joana Africano, Pedro Galiza, Pedro Quiroga Cardoso e Teresa Arcanjo.
Isto É um Hitler Genuíno apresenta-se no TeCA de quarta a sábado em diferentes horários e ao domingo à tarde. Os bilhetes têm o custo de 12 euros.