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É uma casa, onde vivem só mulheres, à margem da sociedade, que partilham o mesmo ofício, os mesmos padrões de vestuário, os mesmos rituais. Não há madre superiora mas há uma “madame” que lhes gere os clientes, as dívidas e os rastreios médicos que detectam a sífilis e as gravidezes. Bonello leva-nos aos bastidores de um bordel dos princípios do século, com uma fotografia e uma iluminação excelentes. A ideia era dar-nos a perspectiva da prostituta e isso nota-se na forma como a câmara evita olhar em frente os homens, ou colocá-los em primeiro plano. Mas deslumbra-se tanto com aquela congregação de corpos femininos semi-desnudados, com a maravilhosa roupa interior, cheia de atilhos e rendas, e com a composição – a lembrar pinturas neo-clássicas… Aplica-se tanto a fazer experiências plásticas e formalistas, a repartir o ecrã, a reflectir os corpos nos espelhos, a anacronizar a época com música dos anos 60, e até a esticizar o grotesco ou erotizar o horror, que o que fica, para além da bela fachada, é um voyeurismo de balneário. Despersonalizadas, as jovens actrizes, parecem representar um papel coral, não há conflito entre elas, apenas harmonia e consentimento, como se fossem uma só personagem com imensos braços, pernas, seios e nádegas, mas nenhuma cabeça.