Contas feitas passaram quase cinco anos desde que o Maxime, na Praça da Alegria, fechou portas. A despedida do antigo cabaret lisboeta transformado em sala de espectáculos pelo músico Manuel João Vieira fez-se a 29 de janeiro de 2011, com uma festa «tremenda, soberba, excessiva e inesquecível», entre outros adjetivos. Encerrava-se ainda que a contragosto, diga-se um ciclo que tinha durado, curiosamente, quase cinco anos, mas no ar ficava a promessa de dar continuidade ao projeto algures na cidade. A coisa está prestes a concretizar-se, agora num armazém à beira Tejo, logo ali ao lado da estação de barcos do Cais do Sodré, com o nome de Maxime Sur Mer. A abertura será no dia 22, a partir da meia-noite, com a festa que marca o início da 13.ª edição do Doclisboa Festival Internacional de Cinema, a cargo da Void Creations.
“Há uma cidade na Riviera francesa com este nome”, atira Manuel João Vieira, convidando a entrar. Ainda há trabalho a fazer, mas já se consegue ver o resultado das obras iniciadas no princípio do ano para transformar estes 350 metros quadrados que fizeram parte da antiga lota e serviram também de armazém camarário. Colocou-se um novo chão em betão, isolou-se o teto com cortiça, construíram-se camarins, casas de banho e bengaleiro. O palco, ladeado por dois balcões de bar, também já está montado não ao fundo, antes a meio que “isto não é altar de Igreja”, diz Manuel João Vieira, “e assim vê-se de qualquer ponto em que estejamos na sala”. É ali que ficará o piano de cauda do antigo Maxime e haverá cortinas em vermelho escuro a compor o cenário.
O novo Maxime Sur Mer vai ser bar e sala de espectáculos ao vivo “com componente cabaret”. A ideia é “abrir a meio da tarde, com esplanada e petiscos, para aproveitar esta vista”, explica Vieira. “Ainda não será para já, mas está nos planos”, acrescenta. Neste horário a entrada será feita pelo Cais do Gás. À noite e nos dias de concerto, abre-se também a porta do lado, da Rua do Cintura do Porto de Lisboa, onde já estará a letra M em néon.
“Vamos ter três grandes quadros que vão funcionar como paredes móveis para criar diferentes ambientes”, continua Manuel João Vieira, apontado para a tela da autoria de Orgasmo Carlos.
O artista é, digamos, ousado. Por ser preciso tapar algumas partes mais íntimas das meninas, “e para despachar”, será substituída por pinturas do próprio Manuel João Vieira.
Sem adiantar muito acerca da programação, o músico e compositor diz que quer voltar a fazer o mesmo que em 2006, quando assumiu a direção artística do Maxime. “Uma mistura equilibrada que não se limita a um só género de música e com espectáculos de gente maravilhosa do cançonetismo português”.
No próximo dia 24, será feita a apresentação de Portugal dos Pequenitos, o terceiro álbum dos Irmãos Catita, “cheio de músicas foleiras”, cujo título mais não é do que “uma metáfora da ideia que os políticos têm de Portugal e que nos querem impor”. O quê, julgavam que isto era a brincar?
MAXIME SUR MER
R. Cintura do Porto de Lisboa / Cais do Gás, Armazém A, Lisboa
22 out, qui Festa de abertura Doclisboa
24 out, sáb Irmãos Catita
31 out, sáb Festa de encerramento Doclisboa