1. Ph 11 José Luís Neto
José Luís Neto


A Imprensa Nacional tem publicado uma coleção dedicada à obra de fotógrafos portugueses, que titulou Ph. O texto da introdução, escrito por Jorge Calado, começa de forma perentória e afirmativa: “José Luís Neto criou um novo tipo de fotografia.” E resume os dois pontos principais da sua obra – “Investigar as propriedades da luz e os limites da fotografia, usando uma folha branca de papel fotográfico”, e “apropriar-se de uma fotografia esquecida para lhe dar um futuro diferente” –, referindo, ainda, que todo o seu trabalho revela um conhecimento profundo da história da fotografia. Entre as dezenas de imagens reunidas agora em livro, está o extraordinário trabalho 22474, de 2000, feito a partir de uma fotografia de Joshua Benoliel, tirada em 1913, no anfiteatro da Penitenciária de Lisboa, quando os prisioneiros deixaram de ser obrigados a usar capuzes (na verdade, sacos com buracos para os olhos e a boca, que cobriam também o pescoço). As figuras dos presos, no original com cerca de 2 mm, foram ampliadas para imagens com 41 cm, construindo um impressionante grupo de figuras fantasmagóricas. Cláudia Lobo Imprensa Nacional, 134 págs., €24
2. Lisboa Mesma Outra Cidade
António Júlio Duarte, Pauliana Valente Pimentel, Pedro Letria, Beatriz Banha, Hugo Barros e Mariana Viegas


O livro – na designação clássica, o álbum – reúne imagens de Lisboa, captadas por seis fotógrafos: António Júlio Duarte, Pauliana Valente Pimentel, Pedro Letria, Beatriz Banha, Hugo Barros e Mariana Viegas. É o resultado do ciclo Lisboa: Olhares Fotográficos, que ocorreu entre 2020 e 2021, no Teatro do Bairro Alto, com organização de Catarina Botelho e de David-Alexandre Guéniot. Concebido graficamente pelo atelier Vivóeusébio, o volume junta ainda, em folhas rosa de formato mais pequeno, como se de apêndices se tratasse, três textos da autoria de Djaimilia Pereira de Almeida, Patrícia Portela e Joana Braga. Tudo junto é um espelho reflexivo – ainda muito confuso, claro – sobre as realidades urbanas e todas as transformações de que a capital tem sido alvo. Afinal, Lisboa ainda é a mesma ou já é outra cidade? S.B.L. Ghost, 268 págs., €35
3. Antes de Um Novo Tempo
Paulo Catrica, Pedro Letria e António Júlio Duarte

É um livro feito de memórias, este, sobre o Liceu Camões. De memórias do passado mas também do presente; de memórias fotográficas mas também de registos escritos sobre um lugar de encontros. Uma escola é lugar, escreve Sérgio Mah a abrir esta edição cuidada – uma combinação de diferentes aspetos, incluindo “os dados subjetivos e os significados emocionais que ligam as pessoas a esse lugar”. Reúne textos de Ana Maria Pereirinha, Margarida Vale de Gato, Mário de Carvalho e Nuno Júdice, que por sua vez passam o testemunho a sete alunos. A acompanhar, as imagens de Paulo Catrica, Pedro Letria e António Júlio Duarte. O mais curioso é ver como as fotografias oscilam entre os lugares vazios (Catrica), os objetos e os retratos aproximados (Letria) e os momentos de interação entre todos (Duarte). S.B.L. Documenta, 160 págs., €28
4. Ph 12 Rita Barros
Rita Barros


No texto de introdução a este 12.º volume da coleção Ph, dedicada à fotografia contemporânea portuguesa, Susana Lourenço Marques sintetiza bem uma boa parte do trabalho da fotógrafa Rita Barros (1957), ao falar em “teatralização da vida privada, recorrência do lugar, sensorialidade da cor e extensão performativa do seu modo de fazer e estar no plano da imagem”. Protagonista do seu corpo de trabalho é também a cidade de Nova Iorque, para onde foi viver em 1980, e especificamente as vidas e os imaginários do mítico Chelsea Hotel, onde habitou a partir de 1984. A realidade enquanto encenação e o uso deliberado de cores fortes marcam o universo visual desta lisboeta na cidade que nunca dorme. P.D.A. Imprensa Nacional. 134 págs., €24