O prazo aperta e a correção das provas tem sido feita a contrarrelógio: esta quinta-feira, dia 17 de julho, data-limite para a apresentação dos resultados dos exames nacionais do 11º e do 12º anos, marca o “antes” e o “depois” do ministro da Educação, Fernando Alexandre. E ainda que este prazo – que já resulta de um primeiro adiamento – seja in extremis cumprido, do susto (e da lição…) já não se livra o ministro. O aviso veio com o protótipo lançado na época passada: a prova de Filosofia. A digitalização da prova, originalmente feita em papel, para distribuição entre professores, para avaliação, não tinha corrido nada bem. Ainda assim, o projeto da digitalização era para ser executado, a todo o custo. E o Ministério da Educação desmantelava, mesmo, algumas estruturas intervenientes na correção dos exames, como a EMEC (Editorial do Ministério da Educação e Ciência), que, com a digitalização, deixariam de ser necessárias – e que, afinal, na caótica época de exames de 2026, tanta falta viriam a fazer. Um especialista ouvido pela VISÃO refere que esta não é a forma certa e que “o método experimental usado, tendo alunos como cobaias, não podia correr bem”. A migração dos exames para o formato digital exigiria a execução de um projeto-piloto que corresse bem, sendo que, no caso da prova de Filosofia de 2025, todos os alertas e defeitos que se verificaram voltaram a ser repetidos, agora, em grande escala. Segundo a mesma fonte, a digitalização “não devia ter sido feita sem que, ao mesmo tempo, se mantivesse o processo tradicional, perfeitamente comprovado, a funcionar, pelo menos, no primeiro ano da experiência”. Se a digitalização não funcionasse, haveria sempre o recurso ao plano B e tempo para identificar, conter e corrigir, sem consequências de maior, a nova solução. Muitos professores defendem que devia ter sido feito um teste mais exigente, com um maior número de provas e de escolas, antes da entrada em funcionamento. Faltou, portanto, um ensaio geral com um lote razoável de testes; faltou verificar se as páginas das provas apareciam todas, e por ordem; e faltou expor eventuais falhas. “Foi como levar à cena uma peça sem que esta tenha sido ensaiada. O ministro teve uma fezada.”
Os três “is” que tramaram Alexandre
