Há mil e uma receitas de alfajores, as bolachas tradicionais sul-americanas. Estas têm a assinatura de Valeria Olivari. E vale mesmo a pena ir a Arroios experimentá-las (assim como as empanadas)
A massa, feita com manteiga, ovos e açúcar, é trabalhada durante alguns minutos com a ajuda de um rolo da massaLuís Barra
Com a ajuda de formas, corta-se à medida certa. Existem dois tamanhosLuís Barra
No forno em frente à bancada de trabalho, cozem-se as bolachas durante oito a dez minutos a 170 grausLuis Barra
Após a cozedura, acrescenta-se o recheio de doce de leiteLuís Barra
As bolachas tradicionais do sul da América estão prontas a ser devoradasLuís Barra
É neste ateliê, em Lisboa, que a peruana Valeria Olivari confeciona as bolachas Las Cholas e as empanadasLuÍS Barra
Do mesmo forno, saem ainda as quatro variedades de empanadas: de atum e tomate, de vitela e passas, de frango e nozes e a combinação espinafres, mozzarela e cogumelos. Pode encomendar já prontas a comer ou congeladasLuís Barra
A peruana Valeria Olivari, de 33 anos, proprietária do atelîe lisboeta onde são confecionadas as Las CholasLuís Barra
O cheiro a doce faz-se sentir assim que se entra no número 20 da Rua Carlos José Barreiros, em Arroios, Lisboa. É aqui que funciona, há cerca de um mês, o ateliê à porta fechada da chefe de pastelaria Valeria Olivari, uma peruana de 33 anos. Antes de o olhar se focar nas alfajores, as tradicionais bolachas sul-americanas – conhecidas no Chile, Argentina, Peru e Brasil – que todos os dias são produzidas nesta cozinha, o olhar prende-se no graffiti onde se ler “Antes Soñaba” e que retrata as mulheres que vivem na serra peruana, as las cholas. “Vivem com pouco e são discriminadas”, explica Valeria. É esse o nome que escolheu para dar às suas bolachas: Las Cholas. Doces, crocantes e leves, são feitas com manteiga, doce de leite e açúcar. “É a minha homenagem a estas mulheres que me ensinaram tanta coisa, a cozinhar, por exemplo. Cresci com elas, em casa, eram as empregadas domésticas, enquanto os meus pais iam trabalhar”, acrescenta. Desde pequena que Valeria, a viver em Portugal há cinco anos, queria ser cozinheira. Por isso se inscreveu num curso de culinária na capital do Peru, acabando por se especializar em pastelaria. Antes de pôr as mãos na massa, andou mais de um mês a viajar por Portugal, de mochila às costas. Em todas as cidades que visitou, sentou-se à mesa dos restaurantes a comer e a falar sobre cozinha. “Queria aprender mais sobre a gastronomia portuguesa”, diz. Após ter passado pelo restaurante peruano Rafael, do prestigiado chefe Rafael Osterling, e de ter estagiado em cozinhas madrilenas e suíças, chegou ao algarvio Villa Joya, para aprender com Dieter Koschina. A decisão de se mudar para Lisboa veio depois. “Nunca pensei que, após ter estagiado em alguns dos melhores restaurantes internacionais, ficasse a fazer estas bolachas”, conta. “A vida dá muitas voltas.
Las Cholas >R. Carlos José Barreiros, 20, Lisboa > T. 96 047 5923 > bolachas à venda, em Lisboa, nas lojas Gardenia, no Chiado, e Nós é Mais Bolos, no Mercado da Ribeira > €14 (25 bolachas pequenas), €1 (bolacha grande). As empanadas só por encomenda: €1,70 ou €0,90 (congeladas)