LISBOA
1. Um pinhal na cidade
O Museu do Traje está encerrado e o fresquíssimo jardim histórico do Parque Botânico do Monteiro-Mor encontra-se em obras (incluindo o banco sob a araucária gigante, o lago dos patos e o tanque-que-se-calhar-foi-piscina), mas basta descer até à ribeira e atravessá-la por uma das suas pontezinhas de madeira para termos pela frente uns grandes prados encimados por um agradabilíssimo pinhal. Prometemos que a sombra destes pinheiros-mansos é boa o suficiente para fazer esquecer o zunzum dos carros na vizinha Calçada de Carriche.
Lg. Júlio Castilho > ter-dom 10h-13, 14h-18h > €3, grátis com o Voucher 52

2. Esplanada e pavões
No pequeno bosque de ciprestes, grevíleas e eucaliptos dos jardins do Palácio Pimenta que conhecemos como Museu de Lisboa, no topo norte do Campo Grande, há um quiosque com esplanada e guarda-sóis onde apetece pedir uma bebida fresca e fazer apostas: será que algum dos pavões residentes vai arriscar um banho no tanque onde repousam as Nereides e os Tritões que vieram do lago do extinto Passeio Público?
Ter-dom 10h-18h > entrada livre

3. Jardim com vista
Há 30 anos, o arquiteto Nuno Teotónio Pereira foi um dos grandes entusiastas da “excelente” transformação do casarão de umas suas tias num centro de arte contemporâneo. Nas salas iluminadgondas por bruxuleantes candeeiros a petróleo que o aterrorizavam em criança haveria exposições luminosas, que bom! E a quintinha com hectare e meio, também recuperada, passou a oferecer a todos, “democraticamente”, sublinhava, uma das melhores vistas para o rio Tejo e para Lisboa, aqui e ali sob a copa de árvores frondosas.
Casa da Cerca, Almada > seg-dom 10h15-20h > entrada livre
4. Entre plátanos gigantes
Inaugurado há quase 150 anos para apoiar os alunos da Politécnica, o Jardim Botânico de Lisboa tem uma das maiores coleções de cicas do País, vários conjuntos de palmeiras e plátanos centenários. Nos dias de calor, a dica é simples: quanto mais descemos e nos embrenhamos nele, mais sentimos o fresco da sombra das suas árvores.
R. da Escola Politécnica, 58 > seg-dom 9h-20h > €5, grátis dom 10h-13h
5. Musicais num grande ecrã
Ao virar da esquina da Avenida da Liberdade, a Cinemateca Portuguesa oferece uma excelente programação e a preços simpáticos. Em julho e agosto, também há sessões noturnas na esplanada, muitas vezes abençoadas por uma brisa. No dia 15 deste mês, é lá que passará Do Fundo do Coração – Reprise, a versão atualizada do musical de Francis Ford Coppola, com banda sonora de Tom Waits. E, na tarde do sábado anterior, numa das salas climatizadas, os mais novos podem estrear-se a ver Música no Coração.
Seg-sáb > €3,20, até aos 16 anos €1,10

6. Um parque entre carros
Em plena Praça de Espanha, nasceu uma mancha verde que leva o nome de Parque Urbano Gonçalo Ribeiro Telles, mas devia ter algures a palavra “sonho”. Afinal, os seus quase seis hectares (é maior do que o Jardim da Estrela) fazem parte da articulação entre a cidade e Monsanto sonhada pelo arquiteto paisagista. Cinco anos depois de ter sido inaugurado, ganhou finalmente uma cafetaria, mas os relvados continuam livres e bons para nos deitarmos a olhar o céu entre as folhas das árvores.
7. Haja Deus
A religião aquece o coração de muito boa gente, mas podemos entrar na Basílica da Estrela só na esperança de nos refrescarmos – e não ficaremos defraudados. Se pensarmos apenas na temperatura, o seu interior lembra um frigorífico monumental, graças ao pé-direito altíssimo, ao mármore por tudo o que é lado e, claro, aos arquitetos da Escola de Mafra.
Seg-dom 9h-20h
8. e 9. Debaixo do chão
As estações do Metropolitano de Lisboa mereciam várias entradas nesta nossa lista de sugestões, tanta é a sombra e a arte que oferecem. A escolher apenas duas, sejam Olaias (linha vermelha) e Baixa-Chiado (azul). A primeira, que é recorrentemente eleita uma das mais belas da Europa, foi desenhada pelo arquiteto Tomás Taveira e teve a colaboração dos artistas plásticos Graça Pereira Coutinho, Pedro Cabrita Reis, Pedro Calapez e Rui Sanchez. Na segunda, projetada por Álvaro Siza Vieira, sentimo-nos no filme Metrópolis, de Fritz Lang, graças aos vãos monumentais em abóbada revestidos a azulejos brancos; e, quando saímos para a Rua do Ouro, sorrimos ao ver as pessoinhas que o escultor e pintor Ângelo de Sousa pôs a voar pelo teto fora.
Seg-dom 6h30-1h

10. Gelados nos Restauradores
“A nossa esplanada está sempre à sombra! Perfeita para comer gelados em dias quentes como este”, lembrava-se no Instagram d’A Veneziana, no final da semana passada. É verdade: as mesas e as cadeiras azuis da primeira geladaria de Lisboa estão sempre protegidas do sol pelos edifícios que as rodeiam, desde logo pelo secular Hotel Avenida Palace. E o spaguetti da casa ainda sabe melhor à sombra.
Ter-dom 13h-20h
11. Sob a tipuana dos Prazeres
Lisboa tem muitas Tipuana tipu, uma espécie de árvore oriunda do norte da Argentina e da Bolívia facilmente reconhecível pelas suas folhas verdes-claras, ramificação retorcida e distribuição por andares. Em Campo de Ourique, há algumas com espaço para crescer à vontade, mas é junto ao Cemitério dos Prazeres que se ergue a maior e a mais bonita, por isso mesmo classificada de Interesse Público e considerada de grande valor ornamental e paisagístico. Houvesse ainda mais bancos debaixo dela e organizava-se ali uma tertúlia de amantes de sombras naturais.
12. Ler num antigo casino
Por estes dias, quem está a trabalhar no atendimento da Biblioteca Municipal de Algés tem por companhia uma ventoinha antiga. As obras de remodelação no Palácio Ribamar já foram há cinco anos e recentemente avariou-se o ar condicionado na entrada. Mais sorte têm os utentes porque está fresco nas zonas de leitura e estudo, no espaço infantil e na sala multimédia deste palácio setecentista onde em tempos funcionou um casino.
Al. Hermano Patrone, Algés > seg-sex 9h-24h, sáb 10h-18h

13. Uma casa na Estrela
No sábado, 11, é inaugurada a exposição A Beleza Está nos Olhos de Quem a Ve-rde, de João Canilho Santos, Maria dos Passos e Margarida Lopes, na Casa do Jardim da Estrela. Mas há (sempre) muito mais a acontecer neste equipamento cultural da Câmara de Lisboa, integrado na rede Um Teatro em Cada Bairro e muitíssimo bem climatizado. Nota útil: o acesso ao chalet faz-se pelo lado poente-norte do jardim.
Ter-sáb 10h-18h

14. Entre livros, sem wi-fi
Na livraria Gondwana, há obras de autores do hemisfério sul em português, espanhol, francês e inglês, e clubes de leitura – se quisermos acompanhados de café, chá e alfajores, que são aquelas bolachas recheadas com doce de leite muito populares na Argentina. Também há sombra e ar fresco, mesmo que a milhares de quilómetros da Antártida. O que não há? Wi-fi para os clientes, uma decisão tomada a pensar no encontro, ao vivo e a cores, entre as pessoas.
Av. Óscar Monteiro Torres, 40A > ter-sex 11h-20h, sáb 10h-19h
15. Maravilhosa Lourdes Castro
Não é batota – é liberdade poética. As peças mais conhecidas de Lourdes Castro são as sombras humanas e esta que aqui propomos chama-se Odalisque d’Après Ingres, traz uma mulher reclinada talvez numa otomana (o contorno do corpo a vermelho sobre fundo verde a sublinhar-lhe a pose em descanso) e integra a exposição Xerazade, a Coleção Interminável do CAM. Não é batota – é poder sonhar.
Centro de Arte Moderna, Lisboa > Até 20 set, qua-sex, dom-seg 10h-18h, sáb 10h-21h > €12, dom grátis após 14h
16. De chapéu
Na falta de sombras mais ou menos naturais, podemos entrar numa loja na ideia de nos protegermos duplamente do sol: enquanto lá estamos e quando saímos de cabeça coberta. Com esse duplo propósito entre-se, então, na lindíssima Chapelaria Azevedo Rua, fundada em 1886, altura em que o Rossio ainda era conhecido como a Praça dos Chapeleiros. A loja já vai na quinta geração de uma família que sabe do mester.
Pr. D. Pedro IV, 69, 72-73 > seg–sáb 10h-19h
17. Escorregas no shopping
O parque infantil interior do Centro Comercial Alegro de Alfragide já foi cor de laranja-forte e agora está coberto de criaturas, plantas e cores que evocam a biodiversidade do vizinho Parque Florestal de Monsanto. Foi assim que a artista visual Pitanga reinventou os escorregas labirínticos amados pelos miúdos – e pelos adultos, que podem sentar-se sossegadamente numas poltronas ou trabalhar na mesa (com tomadas e tudo) ali perto.
Seg-dom 10h-23h > estacionamento gratuito
18. Jardim escondido
Atrás da fachada do Palácio Valmor, no número 37 do Campo dos Mártires da Pátria, há um dragoeiro centenário, lódãos e outras árvores de grande porte, além de um bar com esplanada onde volta e meia acontecem concertos e demais eventos culturais. No dia 16, a partir das 19h, o Goethe-Institut em Lisboa convida todos os que queiram praticar línguas com falantes nativos e conhecer novas pessoas para mais uma noite “Tandem”. Mas é sobretudo durante o dia que nos sentimos a chegar a um oásis urbano.
Seg-sex 9h-19h, sáb 9h-17h ou mais tarde se houver eventos, fecha de 1 a 23 de agosto

19. Numa antiga casa senhorial
Em 1918, o Estado comprou o Palácio Baldaya para ali instalar o Laboratório de Patologia Veterinária e Bacteriológica. Quase cem anos depois, a Câmara cedeu-o à Junta de Freguesia de Benfica que, em 2017, criou um polo cultural onde hoje acontece de tudo um pouco. No pequeno mas frondoso jardim, há belas sombras, bons bancos e um lago com tartarugas zero assustadiças.
Estr. de Benfica, 701A > seg-sáb 9h-22h, dom 9h-20h

PORTO
20. De socalco em socalco
Abaixo do Passeio das Virtudes, concorrido sobretudo ao pôr do sol, há um parque que noutros tempos albergou a antiga Companhia Hortícola Portuense e tem hoje a maior Ginkgo biloba do País. Encontramo-la logo no topo da encosta, perto do portão de entrada junto à Cooperativa Cultural Árvore (nas traseiras do Palácio da Justiça), imponente nos seus mais de 30 metros de altura. Pelos socalcos seguintes, há mais copas frondosas sob as quais apetece ficar a saborear a vista para o rio Douro, a Alfândega e Vila Nova de Gaia.
Seg-dom 9h-19h

21. Nas traseiras da Baixa
Há dez anos que o armazém improvisado ao ar livre da quase octogenária mercearia O Pretinho do Japão deu lugar a uma esplanada. Mas foi só em março que o café-bar O Jardim passou a servir petiscos do mundo, mantendo a política de deixar ficar quem está bem, seja a beber um copo ou a trabalhar à sombra.
R. do Bonjardim, 492 > seg-sáb 12h-19h
22. Refúgio na Boavista
Situado numa cota inferior à rua, o jardim que rodeia o renovado Museu Aurélia e Sofia de Souza (de que falamos detalhadamente nas páginas 102 e 103) é um bom refúgio a apenas cinco minutos a pé da Rotunda da Boavista. E, para gáudio dos amantes das árvores, tem uma lindíssima magnólia-de-flores-grandes, um belo cedro-do-atlas, um gigantesco loureiro e vários exemplares de camélias, além de um conjunto de bambus, uma melaleuca (árvore do chá) de notáveis dimensões e várias árvores de fruto. Nota: ao domingo não se paga para visitar o museu.
R. de Nossa Senhora de Fátima, 299 > ter-dom 10h-17h30 > entrada livre

23. Entre metrosideros
Na Foz, a partir da estátua do Homem do Leme e em direção ao Passeio Alegre, dezenas de árvores predominantemente da espécie Metrosideros excelsa (conhecida como árvore-de-fogo por causa da sua floração vermelho-vivo) formam um túnel verde que protege contra o sol e a maresia. Sabe bem caminhar à sombra pela marginal, mas melhor ainda é escolher um banco e ficar a olhar o mar.
24. Árvores na praia
Ainda na Foz, a Praia da Luz tem um areal pouco extenso e muitas rochas, mas também tem alguma sombra natural das árvores de pequeno porte que a enquadram. Com sorte, dá para uns mergulhos sem precisar de levar guarda-sol.
25. Vai no Batalha
Até ao dia 17 deste mês, há filmes à noite na praça, em mais uma edição de Oásis, este ano dedicada aos amores de verão. Durante o dia e no interior do centro, A Natureza das Férias oferece até 9 de agosto uma seleção de filmes, videoarte e obras, apresentados em vários locais, das salas de cinema aos foyers. Não é invenção, tudo isto vai mesmo no Batalha.
11 jul-9 ago 12h-20h > entrada livre
26. Nos passos do poeta
No final do ano passado, a casa onde morou Eugénio de Andrade renasceu como biblioteca poética. O Porto ganhou, assim, um espaço de estudo, criação e contemplação com vista direta para o encontro do rio Douro com o mar, onde sabe bem entrar para ler um livro ou simplesmente ficar a olhar pela janela imortalizada pelo poeta.
R. do Passeio Alegre, 584 > ter-sáb 10h-18h
27. As magnólias de São Lázaro
Ao fim de quase 200 anos, o Jardim de São Lázaro mantém o traçado romântico original e o gradeamento de ferro a toda a volta com quatro portões. Por estes dias, a sombra das suas magnólias-de-flores-grandes dispostas em redor de uma taça de água circular atraem naturalmente quem passa na proximidade da Faculdade de Belas-Artes e da Biblioteca Municipal.
Passeio de S. Lázaro, 33 > 9h-20h

28. Num claustro gótico
A sombra mais bonita do Porto é no claustro gótico da Sé. Um claustro em granito, quadrangular, lindo de morrer, onde Dom João I se casou com Dona Filipa de Lencastre. Paga-se para visitar, mas vale a pena investir para lá da igreja e das vistas.
Seg-dom 9h-18h30 > €3
29. Passear em São Roque
Há quase quatro anos, o Parque de São Roque, em Campanhã, ficou com mais 1,2 hectares, num investimento que também incluiu a recuperação dos caminhos e a preservação do labirinto de buxo. Nessa altura, a mata foi limpa, plantaram-se 210 árvores e ganharam-se miradouros com vista para o rio Douro no sentido contrário ao habitual – para cima e não na direção da Foz.
R. São Roque da Lameira, 2040 / Trav. das Antas > 8h-20h
30. Marecos, em Gondomar
Junto ao rio Douro, em frente à Praia de Marecos, na zona de Atães/Jovim, em Gondomar, há uma esplanada onde vale a pena parar num dia de calor. Pertence ao Clube Náutico de Marecos e costuma ter moelas, rissóis e outros petiscos a pedir um fino gelado. No Porto há sempre marginal, mas ali a estrada está mais acima, sobrando uma margem bastante grande.
Lg. de Marecos, 21, Gondomar > seg-sex 12h30-23h, sáb 10h-13h, dom 10h-23h
31. Cultura no jardim
Nos próximos sábados de julho, o Espaço Agra volta a receber concertos ao ar livre na sua antiga piscina. Em vez de água, o Radioclube Agramonte e a Musa têm música e cerveja para animar e refrescar quem aparecer neste dinâmico centro de produção e promoção cultural e artística na zona da Boavista/Campo Alegre. Espreite-se, entretanto, o seu site porque há mais a acontecer, desde logo no jardim.
R. João Martins Branco, 180 > espacoagra.pt
32. Brincar entre coelhos e galinhas
Uma vénia às gentes do bairro que criaram o Parque Infantil da Associação de Moradores do Campo Alegre, onde há escorregas, espaço de sobra para brincadeiras livres e coelhos à solta no relvado. As melhores sombras são as das árvores, mas na esplanada também não se está nada mal.
R. João Martins Branco, 65 > ter-sex 11h-23h, sáb-dom 11h-12h30, 14h-23h
33. Sossego a oriente
Em 2010, oito anos depois de ter sido finalizada a zona à beira-mar do Parque da Cidade, foram inaugurados os primeiros dez hectares do Parque Oriental. Localizado em Campanhã, ao longo das margens do rio Tinto, foi igualmente projetado pelo arquiteto paisagista Sidónio Pardal que transformou um espaço compartimentado e acidentado num contínuo natural, relvado, arborizado e com uma rede de caminhos bons para passear. Hoje já ocupa 16,7 hectares, desde o Freixo até ao Pego Negro, e tem várias vias pedonais e cicláveis, através das quais se liga ao Parque da Alameda de Cartes.
R. do Lagarteiro, 504 / R. do Pego Negro, 2 / R. Azevedo, 594
34. Debaixo do jasmim
Estamos no tempo dos filetes com salada-russa, é o que apetece almoçar nestes dias quentes. Mas na pequena esplanada do restaurante Rogério do Redondo, no Bonfim, qualquer prato cai bem, até petingas fritas, em havendo (houve quando Anthony Bourdain visitou o Porto pela primeira vez, em 2002). À sobremesa, pode ser sugestão, mas a mousse tem aroma de jasmim.
R. Joaquim António de Aguiar, 19 > T. 22 536 2215 > seg-sáb 12h-14h30, 19h30-22h, dom 12h-14h30
35. De canga no relvado
O Instituto Pernambuco-Porto Brasil abre habitualmente apenas um sábado por mês e em julho é já no sábado, 11. Fica a dica, embora os dias de semana sejam bons para visitar a exposição permanente de artesanato ou para esticar uma canga à sombra de uma das árvores do seu jardim, na boa vizinhança das faculdades de Ciências, Arquitetura e Letras, do Planetário e do Teatro Campo Alegre.
R. das Estrelas, 143 > seg-sex 10h-13h, 14h-17h > entrada livre
