O que é hoje a região do Dão? Se seguirmos aquilo a que o leitor tem acesso, a imagem do Dão corresponde aos vinhos que encontramos nas prateleiras das grandes superfícies que em geral são poucos e de qualidade questionável. Se formos por exemplo à internet, na Garrafeira Nacional descobrimos 63 referências (das quais 9 são colheitas do século passado) e no site de Garrafeira de Campo de Ourique registam-se apenas 32 vinhos do Dão. Esta é a imagem real e prática para o consumidor e não a que as agências de comunicação possam de boa fé veicular. O Dão é uma região escondida que se entrincheirou na cova de Viriato.
Assisti in loco ao renascimento do Dão nos anos 80, movimento no qual se integrava a Quinta de Cabriz/Dão Sul, então liderada pelos engºs. Casimiro e Lucas. Mas o que é hoje o projecto Cabriz? É a Global Wines com tentáculos vitivinícolas no Douro, Bairrada, Dão, Alentejo e Brasil sob a direcção enológica de Carlos Lucas, o rosto visível desta S.G.P.S. De alguns dos seus vinhos que adquiri nas lojas dei conta aos leitores em crónica de 10 de Setembro de 2009 (sobre os Dão da Casa de Santar). Hoje regresso à Dão Sul com outras provas:
Cabriz Dão Colheita Seleccionada 2009 **** Um vinho branco muito perfumado, com aromas florais, frutado, surgindo também com grande frescura nos sabores. Muito agradável. Castas: Malvasia Fina, Encruzado, Bical e Cercal branco.
Pedro & Inês Dão 2008****/***** Um vinho muito elegante e harmonioso elaborado com duas castas brancas de qualidade confirmada no Dão: Encruzado e Bical. Um branco bem estruturado, com sabores a frutos secos e pós-boca intenso e prolongado. Um bom exemplo do que o Dão nos pode dar, apesar dos seus 13,5% vol. álcool.

Paço dos Cunhas de Santar Dão Nature 2008***/**** O designativo Nature aplicado na rotulagem deste Dão tinto refere-se a uma viticultura “com respeito pelo ambiente e pela biodiversidade”. Quanto ao vinho fica aquém dos grandes tintos do Dão, do eng.º Vilhena, por exemplo, do Centro de Estudos de Nelas.
