É um movimento a todo o continente, depois de consecutivos recordes diários de contágios e de os médicos, um pouco por todo lado, avisarem para um possível colapso dos sistemas de saúde. A República Checa já fechou escolas e bares; os cafés e restaurantes holandeses também estão a encerrar portas — e França considera até impor o recolher obrigatório nas cidades mais afetadas. Na Alemanha, tudo indica que se seguirá igualmente o uso obrigatório de máscara na rua. Em Itália, já é assim desde a semana passada.
Itália
O anúncio foi feito na quarta-feira, 7, ao mesmo tempo que se declarava que o país entrava em estado de emergência até 31 de janeiro. Em comunicação oficial, o primeiro-ministro, Giuseppe Conte, fez saber que passava a ser obrigatório usar máscara em qualquer espaço público, aberto ou fechado. “A partir de agora, as máscaras e equipamentos de proteção têm de ser trazidas connosco quando sairmos de casa e usadas a partir desse momento. Temos de as usar o tempo inteiro, a não ser que estejamos numa situação de isolamento contínuo”, explicou aos italianos o chefe do Governo.
A exceção são as habitações privadas, mas Conte deixou o aviso: “Aí o Estado não pode obrigar, mas mesmo em família temos de ser cuidadosos.” Está ainda prevista uma pena de prisão que vai dos 3 aos 18 meses para quem esteja infetado e não cumpra a quarentena.
França
O presidente francês, Emmanuel Macron, também já anunciou que prepara novas medidas para a capital e outras cidades do país. E a razão maior prende-se com o facto de os diretores hospitalares de Paris andarem há dias a alertar para o colapso das unidades de cuidados intensivos. Em entrevista ao canal TF1, assumiu que em cima da mesa estão restrições de circulação, como as já impostas em Marselha. Mas não só. Ao que apurou ainda o canal de notícias BFM, Paris e Lille são cidades propensas a enfrentar um recolher obrigatório.
Segundo a agência de Saúde Pública, o país bateu mais um recorde, depois de no fim de semana passado registar mais de 25 mil infeções em 24 horas.
Alemanha
Com mais de cinco mil novas infeções diárias, números que não se registavam desde abril, o governo de Angela Merkel está igualmente apostado em reforçar as medidas de combate à pandemia. Entre as propostas, está a exigência do uso de máscaras em mais locais e ainda a limitação do número de pessoas reunidas em eventos privados, sempre que uma área registe 35 novas infeções por cem mil pessoas durante 70 dias. Até agora, a bitola estava nas 50 novas infeções.
Merkel tem não só manifestado o seu alarme sobre o crescimento do contágio como exortou o país a não desperdiçar o seu sucesso inicial em manter os casos sob controlo. As prioridades, essas, são as mesmas: manter as escolas abertas e assegurar que a maior parte da economia possa continuar a funcionar.
Inglaterra
No Reino Unido, o debate sobre mais confinamentos também tem estado aceso. A Irlanda do Norte foi a primeira a avançar, decretando o fecho de escolas durante duas semanas. Mas, como sublinhava esta semana Boris Johnson, vem aí uma nova série de restrições de confinamento local – para situações definidas como de risco médio, alto e muito alto – e serão introduzidas em áreas que registem taxas de infeção superiores à média.
O governante inglês tem resistido à pressão para alargar as limitações, mas, perante os níveis de contágio, esse passo pode não estar longe. Pelo menos é o que considera Peter Horby, o presidente do Grupo de Aconselhamento sobre Ameaças de Vírus Respiratórios Novos e Emergentes do governo do Reino. “Precisamos tratar de todos, aqueles com Covid e aqueles sem e a maneira de fazer isso é manter os números baixos”, salientou, citado pela BBC, alertando ainda que alguns hospitais no norte da Inglaterra já estão sob pressão e que não demorará muito para que as camas de cuidados intensivos fiquem lotadas.
Espanha
A região espanhola da Catalunha está também a considerar as suas próprias medidas temporárias, depois do confinamento decretado em algumas regiões de Madrid e a imposição do estado de emergência. Para baixar a curva na região, que está com uma incidência de 279 casos por cem mil habitantes, o governo tenciona reduzir a capacidade dos centros comerciais, fechar bares e restaurantes durante pelo menos 15 dias. Todos os outros serviços que requeiram contacto físico devem igualmente fechar, com uma única exceção feita aos cabeleireiros.
O Supremo Tribunal de Justiça da Catalunha terá ainda de aprovar as medidas anunciadas. Mas sabe-se que o Procicat, o organismo governamental que gere a resposta à pandemia na região, já deu luz verde a estes encerramentos, como o fecho da restauração em hotéis, a suspensão das atividades desportivas não profissionais e a passagem do ensino teórico nas universidades para o formato virtual. “Devemos reduzir ao máximo a mobilidade, limitar as relações e encontros sociais e promover ao máximo o teletrabalho”, sublinhou ao El País o presidente em exercício da Generalitat, Pere Aragonés.
Países Baixos
Os Países Baixos estão também a introduzir novas medidas. Face a um aumento dramático das infeções comunicadas na última semana, o governo holandês decretou o encerramento de bares, restaurantes e cafés durante quatro semanas e proibiu a venda de álcool depois das oito da noite. As máscaras em espaços públicos fechados passaram também a ser obrigatórias.
A assinalar dez anos como primeiro-ministro, Mark Rutte foi esta terça-feira à noite à televisão, em horário nobre, dizer que “o martelo que temos de usar para vencer este vírus tem de ser suficientemente grande para o conseguir”. Citado pela Euronews, salientou: “Demasiadas pessoas não estão a cumprir as medidas existentes. É uma mensagem dura, mas é a única maneira.”