PLANEAR A VIAGEM:
A TAP e a LAM/Air Luxor têm, no total, três voos semanais directos Lisboa-Maputo, a preços que variam entre ? 600 e ? 1100, conforme a época. De Maputo para Pemba, a LAM e Air Corridor asseguram voos diários entre ? 250 e ? 300.
De Pemba para o arquipélago, pode voar-se para quase todas as ilhas (exceptua-se, entre outras, a Quilálea), cujas viagens são organizadas pelos estabelecimentos hoteleiros. Em alternativa, para ilhas como o Ibo, é possível fazer a viagem, por terra, até Tandanhangue e daqui apanhar um ?dhow? para a travessia marítima. Há que ter em atenção as marés e o tempo estimado para a viagem.
QUANDO IR:
Praticamente todo o ano é bom para visitar o Norte de Moçambique. No entanto, devem ter-se conta os períodos de época alta (Agosto e Dezembro) que implicam preços mais caros e menor disponibilidade de alojamento, bem como a época de chuvas, entre Novembro e Janeiro.
DEVE SABER:
Formalidades –
A estadia em Moçambique obriga a um visto de entrada, que pode ser emitido pela embaixada do país em Lisboa ou à chegada, no aeroporto de Maputo ou nas fronteiras terrestres (cerca de ? 30, na modalidade mais barata).
Língua
– A língua oficial é o português, embora em muitas regiões do país se usem dialectos locais. No Norte predomina o suaíli e suas variações. O inglês é igualmente utilizado em alguns meios urbanos e por operadores turísticos.
Moeda –
A moeda oficial é o metical (? 1 = 29 500,00 meticais), aceitam-se dólares, rands sul-africanos e, em menor escala, euros. Muitos preços em estabelecimentos hoteleiros e lojas de turistas estão fixados em dólares.
Precauções sanitárias
– Em todo o país há o risco de contrair malária pelo que se deve consultar um médico antes da viagem. Deve, igualmente, actualizar-se a vacina do tétano e evitar comer vegetais em locais que não ofereçam confiança. Água só de garrafa e o uso de repelente é obrigatório em certas alturas do dia. A rede de saúde pública é má e as clínicas privadas, existentes apenas em Maputo, praticam preços elevados.
Telefones
– Depois do indicativo internacional 00258, marque o código da região (actualmente em processo de alteração pelo que se deve consultar o operador).
Telemóveis
– Todas as capitais provinciais estão cobertas por rede de telemóvel (mCel e Vodacom) e as ilhas de Ibo, Matemo e Quilálea têm, em certos locais, acesso à rede.
Electricidade
– A corrente eléctrica é de 120 V e de 60 Hz, e é necessário levar adaptadores de modelos A e B. Nas ilhas e noutras regiões não urbanas é frequente o uso de geradores eléctricos, alguns dos quais não suportam computadores portáteis.
ANDAR POR LÁ:
Em Pemba não há transportes públicos urbanos consistentes, sendo necessário o recurso a táxis (entre ? 2 e ? 5 cada viagem) ou ao aluguer de veículos (entre ? 120 e ? 150, por dia, para veículo com tracção às quatro rodas, o mais aconselhável). Em Moçambique, o trânsito processa-se pelo lado esquerdo da faixa de rodagem. Com pescadores ou operadores informais, pode combinar-se uma viagem de barco às ilhas ou passeios pela costa, mas há que ter sempre em atenção as condições de segurança, marés, ventos, etc. Nas ilhas anda-se a pé. Em Pemba, a empresa
Kaskazini
(
) organiza excursões, aluga viaturas, barcos, etc.
FAZER E VER:
Uma viagem para as Quirimbas obriga quase sempre a passagens por Pemba. Não há muito que ver na capital de Cabo Delgado, pelo que a opção é passar o tempo na
praia do Wimbe
, na cidade, ou, com mais dias, organizar uma viagem a
Mecúfi
, no Sul, a 1 hora e 15 minutos de carro, ou a
Pangane
, no Norte, a 4 horas de carro, praias de grande beleza. Se o fizer, leve comida e, sobretudo, água, porque não é garantido que as encontre naquelas praias nem no caminho.
Nas ilhas, o
Ibo
tem um valioso, embora arruinado, património, centrado nas fortalezas e nas casas de arquitectura portuguesa ou indo-portuguesa. É indispensável assistir ao pôr-do-sol no terraço da
Pensão Boa Vista
, que é também o único restaurante. Para os mais audazes, uma visita ao delapidado
cemitério
permite uma digressão histórica pelas comunidades que ali habitaram. Ao fim-de-semana funciona uma discoteca ao ar livre, frequentada por locais, com música da região ou marrabenta, o som nacional. De notar que o Ibo não dispõe de praia em condições. Nas restantes ilhas, a vida organiza-se em torno dos hotéis, geralmente um por ilha.
DORMIR:
Em Pemba, funciona um dos hotéis de referência em Moçambique, o
Pemba Beach Hotel
(tel. 002587221770), do grupo saudita Rani, que também explora o Matemo Island Resort, de Matemo, e está a concluir um resort na ilha de Dejumbe. Dispõe de infra-estruturas modernas: piscinas, marina, restaurante, business center, etc. Quarto duplo: cerca de ? 200/noite.
O
Complexo Nautilus
(? 90, noite; tel. 002587221520), na praia do Wimbe, tem bungalows com dois quartos mesmo junto do areal.
Caracol e Sal
são outros estabelecimentos naquela praia.
Na ilha de Matemo, o
Matemo Island Resort
(tel. 002587221770) dispõe de bungalows elegantes e decorados com motivos da região, sobre o areal. Uma estadia obriga a refeições no hotel, bem confeccionadas e variadas. A praia convida a grandes passeios e há um bom apoio para actividades náuticas, como mergulho e pesca. Preços: ? 200/pessoa, partilhando; ? 280, individual, ambos incluindo pequeno-almoço, jantar e transporte aéreo Pemba-Matemo-Pemba.
A ilha da
Quilálea
é totalmente ocupada pelo resort com o mesmo nome, que ali construiu nove luxuosos bungalows. Tem uma pequena piscina mas ninguém se lembra dela dada a grande qualidade das praias da pequena ilha. A comida é soberba e o serviço, acolhedor e discreto. Bom apoio para actividades de lazer, como mergulho e pesca. É o mais parecido que há em Moçambique com a ilha de Crusoe. Preços: ? 350/pessoa, noite, incluindo pensão completa e, no caso de permanecer sete noites, voo de e para Pemba. Ficando menos noites, a viagem aérea custa cerca de ? 125 (tel. 002587221808).
No
Ibo
, a
Pensão Bela Vista
(? 65, tel. 2587243001) e a
Vila Ruben
(? 18) são aceitáveis, sobretudo a primeira, que ainda oferece um razoável serviço de refeições, um dos principais problemas com que se defronta o viajante quando chega a esta ilha.
COMER:
Na
Quilálea
e em
Matemo
só funcionam os restaurantes dos hotéis, que, aliás, são bastante bons. No
Ibo
, a
Pensão Bela Vista
oferece pequeno-almoço e jantar, ocasiões aproveitadas para se conhecerem pessoas e partilhar experiências de viagem pelas Quirimbas. O pequeno
quiosque
no jardim fronteiro ao edifício das
TDM
(Telecomunicações de Moçambique) faz refeições simples e, por vezes, deliciosas. Em ambos os casos, e à maneira do arquipélago, vá com tempo e não se preocupe que a comida há-de chegar. Em ilhas onde não há hotéis leve sempre um pacote de bolachas e garrafa de água.
Pemba
é das cidades onde se come melhor em Moçambique. Desde logo, no
Pemba Beach Hotel
, cujo restaurante faz juz às cinco estrelas do estabelecimento. Na praia do
Wimbe
fica outro excelente restaurante, o
Dolphin
, informal, com cadeiras na praia e especializado em peixe e marisco. Ao lado, o
Mar e Sol
adaptou-se tão bem ao ritmo da região que tem comida de vez em quando. Mas quando tem, vale bem a pena. Ainda no Wimbe, mas a meio da praia, o italiano
Aquila Romana
promete a melhor pizza do país ? não será mas merece uma visita. Na cidade, o
Samar
(no Complexo Desportivo), com comida portuguesa e moçambicana, é um restaurante popular frequentado por expatriados residentes na cidade. Apresenta bom peixe e bom café, raro nestas paragens. A pastelaria
Flor da Avenida
e o
Toma e V
ai (take-away), igualmente no centro, são outras boas alternativas na cidade. Para dançar há o insólito, mas divertido,
Centro Social da Cruz Vermelha
e a mais clássica
Discoteca Wimbe
. E ?copos?, há por todo o lado mas com o senão de acabarem cedo. No
Complexo Nautilus
funciona um pequeno
casino
, com slot machines e roleta francesa.
COMPRAR:
Em Cabo Delgado é ?obrigatória? a compra de
arte maconde
, constituída, sobretudo, por peças e máscaras esculpidas em madeiras: ébano, pau-preto, etc. As mais originais são as shetani, esculturas que representam sonhos e o mundo espiritual. Há diversas cooperativas de artesãos macondes em
Pemba
: praia do
Wimbe
, junto do
aeroporto
e no
bairro Natite
.
Tapetes coloridos
, feitos de palha, e pinturas da escola tanzaniana
tinga-tinga
encontram-se por todo o lado, assim como as peças de prata do
Ibo
. Em lojas e ruas vendem-se pequenas
réplicas em arame
de jeeps e, com sorte, encontram-se por bons preços
mantas da tribo masai
(Centro e Norte da África Oriental). É de regra discutir o preço, assim como não comprar produtos coralinos ou de origem animal: anéis e outras peças em marfim, carapaças de tartaruga, etc.
FOLHEAR:
Setentrião –
Contos de João Paulo Borges Coelho sobre o Norte de Moçambique ed. Nadjira, 2005.
Negra Azul
– Poemas de Vergílio de Lemos, ed. Instituto Camões.
Mamíferos de Moçambique
– Augusto Cabral e Mia Couto, livro-álbum editado em 2002.
Lonely Planet Mozambique
– Guia escrito por Mary Fitzpatrick, 200 pp, 24 mapas.
Abdul Kamal e a história de Chiúre nos séculos xix e xx.
– Estudo centrado em Abdul Kamal-Me-gama, penúltimo chefe da dinastia Ekoni Megama e régulo de Chiúre-Velho (c.1940-1965), que viveu no Ibo.
NA REDE:
http://sg.travel.yahoo.com/guide/africa/mozambique/get.html
? Um guia de viagens com factos interessantes, atrações do país, cultura, etc.
http://geocities.yahoo.com.br/quirimbaspemba/
? Página sobre a história dos fluxos marítimos na região e apontamentos sobre a diversidade ecológica do arquipélago.
http://www.africanislands.co.uk/northern_mozambique.htm
? Página britânica com informação turística e sugestão de itinerários
http://www.kaskazini.com/infogeral.htm
? Informação útil sobre a cidade de Pemba e as ilhas circundantes.
Publicado na edição número 6 da revista ‘Rotas do Mundo’ de Setembro de 2005