Luís Montenegro mostrou, no Congresso, que está preparado para ser primeiro-ministro e governar o país. Apresentou um programa exequível, elencou todas as áreas prioritárias para o PSD, e colocou a fasquia eleitoral a uma altura elevada, como só os partidos de poder conseguem fazer. Com a presença de Cavaco, um trunfo avalizador, o líder social-democrata não se esqueceu de ser humilde e lamentar as omissões: «esperavam mais de mim do que fui capaz de mostrar até agora».
E o até agora diz tudo da amostra do Programa de Governo que apresentou: vai subir as pensões, baixar os impostos em 8 escalões, reconhecer o tempo de serviço dos professores, investir na Saúde e recorrer aos privados para médicos de família, garantir acesso gratuito às creches e pré-primário, inverter o défice demográfico com a imigração, regular o lóbi e combater eficazmente o enriquecimento ilícito e a corrupção.
Estas linhas gerais, que são as preocupações dos portugueses, lançam um enorme desafio a todos os outros partidos, em especial ao PS e à direita. Pedro Nuno Santos, que Montenegro «encostou» à esquerda, terá de apresentar um programa eleitoral que não poderá ser apenas uma cópia do que existe. E o mesmo se aplicaria a José Luís Carneiro, com a dificuldade acrescida de estar no Governo. À direita está colocada a mesma exigência eleitoral.
Montenegro, que vivia num lento ritmo político, foi ao Congresso mostrar que tem a vontade, o ânimo e a estratégia para vencer as eleições de 10 de Março. No discurso final conseguiu entusiasmar os militantes e convidados, e imprimiu uma dinâmica de vitória que há muito não se via no PSD. Ou tudo, ou nada.