O almirante não é D. Sebastião, e por isso bem podemos chamar por ele, ou gritar, ou suplicar, mas ele não vem. As instituições têm de funcionar em normalidade, explicou. A Covid não quer saber da crença profética sebastiânica. O almirante não vai aparecer, mas quem já chegou, de mansinho, foi a 5ª vaga da pandemia. A Bélgica anunciou que vai administrar a terceira dose a toda a população, e se Portugal não quiser perder tempo, e manter-se entre os exemplos a seguir, deve tomar a mesma medida.
Não há outra solução. As vacinas têm um prazo de validade, e quanto mais tempo passar, menor imunidade existirá. E era aqui, nesta decisão, que deveria entrar o vice-almirante Gouveia e Melo, que não é D. Sebastião. Com uma terceira dose universal, e a ter de começar o mais depressa possível, e ainda sem os maiores de 65 anos e grupos de risco estarem todos com a vacina de reforço, a «task force» tem de voltar ao seu melhor. É, na verdade, uma situação excecional. Se não há almirante, então que venha um general. Alguém que esteja longe da inércia administrativa.
Num tempo quase recorde, Portugal passou de um estado residual da pandemia – «estamos a sair», garantiam – para uma situação de alarme, que tenderá a agravar-se nos próximos tempos. O Governo, em boa verdade, só tem de escolher entre duas saídas: ou correr o risco de o país voltar ao confinamento, com severas restrições, e perder mais um ano, ou arrancar já com o reforço da vacina para todos.
Qual é a dúvida? Científica não pode ser, porque as sublinhagens da variante Delta já circulam por todo o lado. Ou andamos para trás, ou damos um passo em frente. Será que vamos voltar a ouvir as mesmas coisas? Ainda não temos dados para tomar essa decisão, os internamentos são muito reduzidos, as mortes são escassas (!), e o SNS dorme tranquilo. Outra vez? Essa, então, será a terceira hipótese, ou saída: deixar andar.
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