* Passeio os olhos pelos jornais e pelos websites dos principais periódicos portugueses e só vejo notícias sobre o Banco Espírito Santo, o Grupo Espírito Santo e a família Espírito Santo. De tão grande, os Espírito Santo fazem parecer o país pequeno. Durante 20 anos tomaram conta de tudo e de tudo estão agora em retirada. Parece o recuo do mar antes da vinda do tsunami – uma cousa digna do Espírito Santo. Espero que quando a vaga se abater sobre terra nos tenhamos retirado para terreno seguro – se tal for possível. Senão, o caso BPN vai parecer uma ondinha de brincar comparada com o ruído ensurdecedor dos Espírito Santo a rebentar sobre as nossas cabeças.
* Sarkozy, o pior líder da França após a segunda Guerra Mundial, foi detido para prestar declarações numa investigação judicial. Após 15 horas de interrogatório, saiu como arguido, entre outras razões por causa do alegado suborno de um magistrado, caso detetado em escutas telefónicas. Os crimes de que é acusado têm penas até 10 anos de prisão. Os franceses têm a tradição de guilhotinar os seus poderosos mas na rua, fora dos tribunais. Levar o homem até à barra da justiça é um passo em frente. Em Portugal, também houve políticos apanhados em escutas telefónicas. A diferença é que por cá foi o sistema judicial “recuou” – entre nós são raros os passos em frente.
* No PS, os costistas e os seguristas andam pelo país em campanha. Costa tenta arregimentar apoios para o seu embate de setembro. Dou de barato que é uma melhor escolha para o socialistas e para o país, embora enquanto autarca trate a capital como sua em vez de a servir. Mas o terreno está minado: Costa tanto esperou pela fruta madura na árvore que talvez esta caia de podre antes de a poder colher. Duvido que a vitória nas primárias esteja no papo ou que fiquemos mais informados durante a “campanha” sobre o que o PS pretende para o país.
* O Ministério da Educação planeia municipalizar as escolas, diz o Público. A ideia é que as autarquias definam a oferta curricular final dos estabelecimentos de ensino e que, eventualmente, façam “a gestão dos próprios docentes”. É um projeto piloto, diz o Ministério da Educação, que deve envolver uma dezena de municípios (sujeitos a avaliação) antes de se consagrar em definitivo o modelo.
A meu ver, a oferta de lugares aos professores nas escolas não deve ser entregue aos municípios. Poucos poderes conheço tão caciqueiros e, por isso, teme-se o pior: não serão os “melhores” mas os “preferidos” a ocupar os lugares. Por isso, no meu entender, deviam ser as escolas a contratá-los directamente depois da assembleia escolar, onde está representada a comunidade, dar o seu parecer. Já quanto à oferta curricular, só com limites: o núcleo duro da Matemática, da língua materna e das Ciências devia ser absolutamente garantido, sem o Ministério tergiversar um milímetro. E mesmo as outras ofertas deviam ser parciais – para evitar os cursos profissionais sobre sapatos, no Vale do Ave, ou sobre cerejas, no Fundão. A concha dos miúdos de hoje é o mundo não é o fundo da rua.