Lisboa, 25 Mar (Lusa) – O ex-Presidente guineense Kumba Ialá disse hoje à Lusa que está a reunir apoios políticos e meios “para arrumar a casa para o embate político”.
“Ainda estou a estabelecer os meus contactos políticos cá fora e também a buscar meios para arrumar a casa para o embate político”, disse Kumba Ialá, contactado telefonicamente em Dacar pela Lusa.
A viver nas últimas semanas em Dacar, onde acompanha a situação na Guiné-Bissau, Kumba Ialá (que se converteu recentemente ao Islão e mudou o nome para Mohamed Ialá) prefere resguardar-se quanto aos seus projectos políticos, nomeadamente se tenciona apresentar-se às próximas presidenciais, mas afirma a sua disponibilidade.
“Eu sempre disse que para a minha candidatura só dependerá do partido e em parte também de mim próprio”, salientou.
“Para mim, particularmente, não quero viver da política como uma profissão, mas como um espaço de trabalho para todos os cidadãos, ao serviço do povo, na base da legalidade, dentro da base da tolerância e diálogo”, acentuou.
“Nenhum de nós é perfeito, tendo em conta também a realidade social, económica e cultural do país, portanto vamos na base da paz, na base da tolerância, na base do diálogo, da abertura do espírito, para com todos, abrindo-nos também para o exterior, contando nisto com Portugal, o nosso parceiro natural, um parceiro histórico, que nós não podemos equiparar ao resto do mundo, porque foi a história da humanidade e o movimento da humanidade que nos uniu”, acrescentou.
Referindo-se ao Partido da Renovação Social (PRS), que fundou, Kumba Ialá garantiu que esta formação “está homogénea, a funcionar muito bem”.
“Estamos a acompanhar a evolução da situação. Estando fora, recebo informações do partido, dos meus elementos, que são activistas e dirigentes do partido”, acrescentou.
Quanto ao imperativo constitucional para a realização de eleições presidenciais até ao final de Junho, Kumba Ialá diz não acreditar nesse cronograma.
“Objectivamente não há condições para se realizar o recenseamento, todo o processo de preparação. Isso pode levar, no mínimo 40 e tal dias. Objectivamente as condições para as eleições são utópicas”, concluiu.
EL.
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