Sabia que, em 2019, os europeus esgotaram logo a 10 de maio o seu orçamento natural anual? No ano anterior, isso aconteceu a 1 de agosto, segundo o relatório das organizações World Wildlife Fund (WWF, Fundo Mundial para a Natureza) e Global Footprint Network. Isto significa que vivemos grande parte do ano a crédito face aos recursos naturais de que dispomos. Há muitas décadas que discutimos que os recursos naturais são finitos, mas é urgente que estas preocupações estejam espelhadas na atuação de todas as organizações, independentemente da sua atividade.
O aumento das preocupações ambientais deve condicionar a forma como as empresas olham para si mesmas e para a forma como executam a sua gestão, levando-as a recorrer a boas práticas que salvaguardem o ambiente. Ou seja, as empresas deixaram de estar apenas preocupadas com os resultados (e os lucros), mas também com a responsabilidade ambiental. Nos últimos anos, este passou a ser um ponto de discussão muito importante na agenda estratégica das organizações. E, mesmo as instituições bancárias, que acabam por ter um impacto aparentemente menor em termos ambientais face a outros setores de atividade, têm colocado a sustentabilidade no seio da sua estratégia, articulando as dimensões ambiental, social e económica da sustentabilidade. Recentemente, o próprio Banco de Portugal publicou o seu compromisso com a sustentabilidade e o financiamento sustentável, estabelecendo prioridades também nos desafios suscitados pelas alterações climáticas.
Conscientes de que, também ao nível financeiro, os consumidores podem fazer escolhas mais responsáveis no âmbito da sustentabilidade, no ABANCA todos os anos definimos um conjunto de importantes iniciativas. Tornámo-nos, a partir de setembro de 2019, num dos Signatários Fundadores de Banca Responsável, que uniu 130 entidades bancárias num desafio proposto pela ONU, comprometendo-nos a desenvolver e a impulsionar ações em defesa do clima e a colocar a sustentabilidade no centro do nosso negócio. Também em outubro do ano passado, organizámos a I Jornada de Finanças Sustentáveis, que teve lugar na sede da Afundación na Corunha. Desta forma, estamos ainda a levar a cabo processos de renovação das sedes e redes de agências para torná-las energeticamente eficientes, e já implementámos políticas de transporte sustentável e papel zero, substituindo o papel pelo suporte digital.
Estas iniciativas acompanham o foco dado pelo ABANCA à Responsabilidade Social Corporativa, que considera fazer parte do seu ADN. Em Espanha, os projetos abrangem desde questões educacionais, a culturais, ambientais e sociais. Queremos trazer este compromisso com a sociedade para Portugal, nomeadamente procurando contribuir para o meio ambiente não só através das iniciativas já descritas, mas também com projetos de voluntariado dentro da instituição. Paralelamente, através do programa de inovação interno e externo, o ABANCA Innova, procuramos fomentar o desenvolvimento de ideias que contribuam para uma organização mais sustentável.
Há uma procura crescente pelos fundos ESG (Environmental, Social e Governance), produtos de investimento que para além de critérios financeiros, incorporam fatores ambientais, sociais e de governança no seu processo de seleção.
E sentimos estas preocupações do lado dos clientes. Há uma procura crescente pelos fundos ESG (Environmental, Social e Governance), produtos de investimento que para além de critérios financeiros, incorporam fatores ambientais, sociais e de governança no seu processo de seleção. Até porque as empresas com boas práticas ESG tendem a mostrar um melhor desempenho no longo prazo do que as outras e estão melhor preparadas para os desafios futuros, tanto a nível climático como regulatório. Os investidores conseguem assim unir as suas preocupações ambientais à procura de rentabilidade. São cada vez mais as gestoras de ativos e os bancos de investimento que satisfazem esta procura do lado dos investidores.
Além disso, no ABANCA incorporamos as práticas de governance que são exigidas às sociedades cotadas apesar de não o sermos e, desde abril do ano passado, contamos, em Espanha, com o serviço Alpha Responsable, um serviço de gestão de carteiras de fundos de investimento socialmente responsáveis, serviço que estará brevemente disponível em Portugal. No entanto, já estão disponíveis para subscrição vários fundos ESG na nossa lista de recomendações. Participamos ainda em diversos projetos de energias renováveis Power Purchase Agreement (PPA) em colaboração com grandes empresas e noutros projetos verdes focados na renovação da frota pesqueira e na melhoria da eficiência energética no setor primário.
É urgente adaptar o nosso estilo de vida e a nossa forma de nos relacionarmos com o ambiente.
Todos temos responsabilidades e as organizações tem um papel central nesta mudança. Afinal, todos estamos em dívida com a natureza, e queremos saldá-la.