Ainda não estamos livres do caos, mas há sinais de que algo pode estar a mudar e para melhor. Aos poucos, confrontado com a dura realidade e a queda vertiginosa da sua popularidade, Donald Trump parece ter iniciado uma manobra de marcha-atrás na saraivada de tarifas que anunciou impor ao mundo, a 2 de abril, um dia que ele próprio batizou como o da “Libertação” – aquele que, nas suas palavras, seria visto como “um dos dias mais importantes na História dos EUA”, pois era o dia da “declaração da independência económica”.
Agora, cinco semanas depois, Trump já dá o dito por não dito nessa tática de guerra – embora continue a dizer que está a fazer as “melhores negociações” alguma vez vistas no planeta.
A verdade é que depois de ter anunciado um acordo mais suave com o Reino Unido, Trump acabou por dar ontem o aval a um acordo com o país que sempre apontou como adversário principal: a China.
Após negociações ao mais alto nível em Genebra, na Suíça, representantes dos EUA e da China concordaram em começar a entender-se sobre o assunto e, por isso, decidiram suspender durante 90 dias as “tarifas recíprocas” com que se queriam castigar mutuamente e, num efeito de dominó, arrastar o resto do mundo para uma possível recessão económica. O anúncio, naturalmente, foi celebrado com o “fogo-de-artíficio” habitual destes momentos: uma subida nos mercados de ações, com uma euforia como não se via há vários meses.