Investigador integrado do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, doutorado em História Contemporânea, Francisco Bairrão Ruivo, 44 anos, fez a pesquisa histórica para o filme de Ivo Ferreira, Projecto Global, sobre a temática das FP-25. E, ao contrário do que habitualmente acontece, foi a partir do filme que nasceu o livro. A obra, que será agora lançada, com o título As FP-25 e o Pós-Revolução – “Normalização” e Violência Política, baseia-se numa investigação histórica que incluiu, entre outras fontes, a leitura completa do processo das FP-25, a imprensa da época e múltiplas entrevistas com os protagonistas, incluindo ex-operacionais da organização terrorista.

O filme de Ivo Ferreira centra-se num pequeno grupo de operacionais anónimos, descrevendo os seus dramas, contradições e modus operandi, mas não é, ao contrário do livro, uma “história” das FP-25. Opção do realizador e dos argumentistas?
Sim, o Ivo Ferreira, desde o início, pretendeu contar uma história ficcional. Mas queria baseá-la numa investigação histórica para melhor poder dominar os ambientes e refletir as linguagens da época, bem como reproduzir a forma como operavam as FP-25. Precisava de uma base histórica para ficcionar livremente. Mas, à medida que fui investigando, fui-me apercebendo de que o tema era suficientemente rico para justificar um estudo mais sistematizado. Nasceu assim a ideia do livro, que, este sim, procura fazer uma história das FP-25.
