De Emmanuel Macron, presidente da França, a Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, passando pelo primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, e pelo futuro chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, as palavras repetem-se: “Temos de preparar-nos para a guerra”. A ladainha é idêntica, desde os bálticos a Portugal, com o inquilino do Palácio de Belém, Marcelo Rebelo de Sousa, a advertir que o nosso país tem igualmente de reforçar o seu orçamento para a Defesa e a Segurança, em plena sintonia com dois dos seus potenciais sucessores – Gouveia e Melo e Marques Mendes.
Como sabemos, a União Europeia considera que os habitantes do Velho Continente devem quanto antes preparar-se para qualquer catástrofe e, na passada semana, aconselhou-os a criarem um “kit de sobrevivência“ com água, comida enlatada, medicamentos, lanterna e um rádio a pilhas que lhes permita sobreviver autonomamente durante 72 horas. Alarmismo excessivo? Vários governos, serviços de informações e estados-maiores alegam que a Rússia de Vladimir Putin pode atacar um qualquer país-membro dos 27 até ao fim da década e que é preciso elaborar planos de prevenção face a um eventual conflito com Moscovo – ou ainda para enfrentar uma nova pandemia ou um cataclismo natural. O Executivo comunitário quer criar, nos próximos meses, um comité de coordenação que possa lidar com todo o tipo de ameaças, embora ninguém esconda que a prioridade é a “nova economia” que prevê o rearmamento da Europa, a duplicação da despesa militar conjunta – neste momento a rondar os 423 mil milhões de euros – e a drástica redução das importações de material bélico dos EUA, que representa quase 60% do arsenais militares do lado de cá do Atlântico.
Esta segunda-feira, às 10h, o primeiro-ministro português, Luis Montenegro, e o titular pela pasta da Defesa, Nuno Melo, vão participar na sessão de abertura de uma conferência incompreensivelmente intitulada “ Land Defence Industry Day“, no quartel da Serra do Pilar, em Vila Nova de Gaia. Organizado por três organismos do Estado (idD Portugal Defence, AICEP e IAPMEI), o encontro visa “aprofundar a relação entre o Exército, que irá apresentar os seus programas no domínio terrestre, empresas nacionais, que apresentarão as suas capacidades em Veículos Terrestres e em Sistemas não Tripulados, e grandes fabricantes de plataformas militares.” Como já estamos oficiosamente em campanha eleitoral, não é de esperar que os dirigentes máximos da Aliança Democrática digam algo de concreto sobre como pretendem compatibilizar o propalado aumento do orçamento das forças armadas com a manutenção das despesas sociais e do Estado Providência. Era bom que o fizessem.
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