Quando, em maio de 2025, o PS teve o terceiro pior resultado da sua história, houve quem achasse que era tempo de o partido procurar um novo caminho. Fernando Medina, que desistiu de tentar suceder a Pedro Nuno Santos, dizia então que era preciso uma “reflexão profunda, lúcida e fria” dentro do partido antes de se avançar para uma nova liderança. Como a política tem horror ao vazio, a eleição de José Luís Carneiro não esperou por essa reflexão. Mas isso não significa que a área socialista esteja a passar ao lado do debate sobre um novo rumo. Carneiro deu, aliás, o mote quando começou a criar grupos de trabalho sectoriais para várias áreas e iniciou em agosto uma volta pelo interior do País, com mais uma ronda de contacto direto com militantes e sociedade civil. À margem do que o líder vai fazendo, os socialistas vão participando em think tanks e movimentos, alguns deles vincadamente apartidários, uns lançando pontes à direita, outros fazendo o diálogo à esquerda, todos procurando solução para uma pergunta que ainda não tem resposta: o caminho para o poder faz-se copiando o centrismo que deu uma vitória esmagadora a António José Seguro na segunda volta das Presidenciais contra André Ventura ou o centrão é um espaço ultrapassado, incapaz de produzir respostas novas para problemas sociais cada vez mais graves face a um crescendo da extrema-direita?

Quando Miguel Costa Matos anunciou o Instituto Progresso, o Expresso dava a notícia assim: “Novo movimento quer falar para eleitorado que elegeu Seguro.” A colagem feita pelo semanário explicava-se logo no primeiro parágrafo, onde se lia que “o arco do Instituto Progresso” é o mesmo que elegeu o Presidente e vai do PSD ao Livre. Na verdade, o PCP foi muito rápido a assumir que, contra Ventura, apoiava António José Seguro e o BE também o fez, ainda que o desamor destes partidos por Seguro fosse evidente e nada disfarçado. A forma como o Instituto Progresso foi apresentado não é, porém, exatamente como o seu presidente Miguel Costa Matos pretende definir o que anda a fazer. “A ideia não é reproduzir o eleitorado do Presidente, até porque o Presidente não se associa a institutos”, explica à VISÃO o deputado socialista que, coordenando o grupo de economia e finanças do Conselho Estratégico no PS, achou ainda assim que era preciso um instituto onde pudessem reunir-se pessoas do centro ao centro-esquerda para debater e formular ideias de políticas públicas.
