Noé Duchaufour-Lawrance defende que o respeito é fundamental quando se trata de uma troca. Em Portugal, para onde veio viver em 2017, o designer francês tem explorado diferentes materiais e técnicas, do barro negro de Molelos ao xisto de Vila Nova de Foz Côa, cultivando a colaboração e o diálogo com os artesãos. “A primeira reação é quase sempre ‘Não estou interessado’. A história do Made in Situ é essa”, conta à VISÃO, no estúdio e galeria que abriu em Lisboa, perto da Praça da Alegria. O nome (Made in Situ, feito no lugar) é um manifesto, assente nas ideias de território, artes manuais e materiais, concretizadas em objetos e peças de mobiliário.

No caso dos candeeiros que imaginara para a Dior, aliciava-lhe a ideia de trabalhar o vidro e a luz enquanto matéria. O que se seguiu na pequena ilha de Murano, em Itália, não foi muito diferente daquilo a que está habituado. “Temos de nos pôr no lugar do outro, perceber por que razão aquela pessoa está a dizer ‘não.’” E no mundo do artesanato, na maioria das vezes, afirma, “é porque tal implica despender de tempo e energia a tentar arranjar uma forma de responder a estes projetos loucos”.
