Se pondera adquirir em breve uma mota Harley Davidson, uma embalagem de manteiga de amendoim da Crazy Richard’s ou uma bela garrafa de Mitcher’s, uma das melhores marcas de bourbon made in USA, pense duas vezes ou faça-o quanto antes. O motivo é simples. As guerras comerciais iniciadas pelo 47º Presidente dos Estados da América ainda mal começaram, mas os efeitos vão sentir-se cada vez mais a nível global. Donald J. Trump, o líder supremo dos magãos, conceito cunhado por José Brissos Lino, colunista da Visão, quer cumprir as suas promessas e criar uma nova “era dourada” para o seu país. Por enquanto, não tem sido lá muito bem sucedido. Que o digam as “ sete magníficas“ que dominam a bolsa de Nova Iorque (Apple, Meta, Amazon, Microsoft, Alfabet, Nvidia e Testa) e cuja cotação baixou 750 mil milhões de dólares na sessão de segunda-feira. Um valor aparentemente irrisório, embora não deixe de assustar os mercados e já leve alguns analistas a usarem palavras tabu até há poucos dias: inflação e recessão. É o caso de Christophe Barraud, eleito pela Bloomberg como o mago que melhor antecipa o desempenho da maior economia do planeta. No último mês, os dois principais índices de Wall Street, o Dow Jones e o Nasdaq, caíram, respetivamente, 6 e 11 por cento. Só a empresa automobilistica do homem mais rico do mundo já desvalorizou 48% desde a tomada de posse, a 20 de janeiro, do governante que ameaça agora aumentar ainda mais taxas alfandegárias aos países da União Europeia (UE), a organização que Trump diz ter sido criada com o único objetivo de “lixar” – em rigor, o termo por ele usado foi screw – os EUA.
Será que o antigo promotor imobiliário de Nova Iorque aprendeu alguma coisa sobre a história das velhinhas Comunidades Económicas Europeias quando se licenciou na Universidade da Pensilvânia? Não podemos excluir essa possibilidade. Se calhar até conhece o que disseram e escreveram alguns dos pais fundadores do projeto comunitário, como Jean Monet: “A cooperação entre as nações, por mais importante que seja, não resolve nada. O que é necessário procurar é uma fusão dos interesses dos cidadãos europeus e não apenas a preservação de um equilíbrio entre estes interesses”.
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