António Costa, o antigo primeiro-ministro português, era descrito pelo Presidente da República como “irritantemente otimista”. Marcelo Rebelo de Sousa jamais dirá algo de parecido do novo chefe do Governo, Luis Montenegro. Mas deveria. Durante a campanha eleitoral que culminou nas legislativas antecipadas de 10 de março, o líder do PSD afirmou vezes sem conta que, com ele no poder, o PIB nacional iria crescer, em média, perto de 4% ao ano até ao afinal da legislatura. O agora líder da oposição, Pedro Nuno Santos, no debate televisivo dito do século que ambos protagonizaram a 19 de fevereiro, acusou-o de fazer promessas irrealistas e de nos prendar com um “ato de fé”. Infelizmente, nos 75 minutos em que estiveram frente a frente, pouco ou nada disseram sobre questões internacionais e militares, à exceção dos habituais chavões e intenções mal-esclarecidas de “valorizar” e “dignificar carreiras”.
Assim que o governo Montenegro tomou forma e posse, disparou a discussão sobre o Serviço Militar Obrigatório, da mesma forma que, mais cedo ou mais tarde, o primeiro-ministro, o titular da Defesa (Nuno Melo) e o resto do Executivo terão de revelar aos portugueses se já estamos num período de “ pré-guerra” contra a Rússia (Donald Tusk, líder do Governo polaco, dixit), se teremos de enviar tropas para “ combater na Ucrânia” (hipótese que Emmanuel Macron, Presidente da França, insiste em não descartar) e quem vai pagar a fatura do tão propalado, e tido como indispensável, rearmamento da Europa.
Ursula von der Leyen, Presidente da Comissão da UE, numa entrevista dada ao Financial Times considera urgente que os líderes dos 27 se ponham de acordo sobre estes assuntos: “Temos de gastar mais, temos de gastar melhor, temos de gastar europeu”. A dirigente alemã e muitos dos seus pares concordam que a indústria bélica comunitária precisa de apoios extraordinários e que uma das primeiras soluções passa por usar os 300 mil milhões de euros da Rússia que foram confiscados pelo Ocidente nos últimos dois anos (a maior parte depositada em bancos na Bélgica).
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