Pudores à parte, é impressionante o que historicamente pode contar uma pequena taça de porcelana chinesa do século XVI com imagens de sexo explícito. Para mais, foi encontrada numa lixeira do Convento de Santana, que existiu em Lisboa do século XVI ao XIX.
“Única no mundo”, a taça de porcelana chinesa de há cinco séculos, com motivos pornográficos, “em França estaria no Louvre e em Inglaterra no British Museum”, diz o arqueólogo Mário Varela Gomes, que codirigiu, com a mulher, Rosa Varela Gomes, também conhecida arqueóloga, as duas campanhas de escavações (em 2002-2003 e em 2009-2010) que exumaram um vasto e precioso espólio dos despojos daquela casa religiosa de freiras franciscanas, e que desde então o estudam. Mas agora, por decisão da tutela do Património Cultural, o acervo, com cerca de 90 mil artefactos, completos ou os seus fragmentos, incluindo a ancestral taça “pornográfica” de porcelana chinesa, surpreendente presença nos restos de um convento, será “enterrado numa garagem subterrânea” (leia-se depósito de espólios e coleções de diversas proveniências do Centro de Arqueologia de Lisboa, organismo da autarquia da capital), denuncia o casal de arqueólogos, professores jubilados da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa (NOVA FCSH).

