Adoramos uma boa vingança. Ver a noiva, aka Beatrix Kiddo, acordar de um coma de quatro anos para ir no encalço do bando que tentou matá-la, um a um, cada luta um deleite, cada morte um gozo quase inexplicável, sempre a torcer para que aquela mulher, interpretada pela atriz Uma Thurman, exerça com triunfo a ira do Senhor. Parte da nossa satisfação está no humor com que Quentin Tarantino mistura anime, western spaguetti e samurais, mas o verdadeiro gozo… é a vingança que no-lo dá. Kill Bill, um filme de culto do início deste século.
Hamlet, O Conde de Monte Cristo, a Bíblia. Coisas terríveis acontecem a quem pratica o mal. A vingança, traduzida num sentimento de justiça, de reparação, carma que vem ensinar a lição, deixa-nos com uma satisfação, dá-nos uma boa noite de sono. Mais difíceis de entender são obras como Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski, ou o filme Táxi Driver, de Martin Scorsese. Sim, falam de vinganças, mas quantas camadas ali, quantos pontos de vista, quantas sombras! Como a vida não é um filme comercial norte-americano em que o bem é o bem e o mal é o mal, vida a cores em que nada é pão, pão, queijo, queijo, partimos numa viagem pelo labirinto da vingança, esse sentimento fortíssimo e universal a que nem o Deus todo-poderoso conseguiu escapar, como bem nos mostra o Antigo Testamento.
