Este artigo contém spoilers, não há volta a dar. Mesmo que revelemos aqui alguns pormenores da trama, nada belisca as quatro horas que a minissérie Adolescência, estreada a 13 de março, na Netflix, proporciona a quem se atira a ela. Passando por cima dos arrojados aspetos técnicos desencantados pelo realizador Philip Barantini – cada episódio é filmado num único plano sequência, como se de tempo real se tratasse –, centremo-nos no conteúdo avassalador, do princípio ao fim, e em todas as questões perturbantes que ele levanta em relação à parentalidade do século XXI, em permanente mescla com os ecrãs dos smartphones e computadores.
Adolescentes: as vidas ocultas por detrás da porta do quarto

Este é o momento em que o pai, interpretado por Stephen Graham (também é coautor da série), fica como adulto responsável de Jamie, o filho-criminoso, e o deixa sozinho nesta cela despida
Adolescentes: as vidas ocultas por detrás da porta do quarto
A série-estrela da Netflix tem, pelo menos, uma virtude inquestionável: pôs o mundo inteiro a debater uma parentalidade mais consciente, destapando uma nesga do mundo obscuro em que podem viver os adolescentes, quando passam muito tempo na Internet, agarrados às redes sociais. O quarto deixou de ser uma zona livre de perigo – é lá, aliás, que mais portas se escancaram para realidades perturbantes. Espreite as janelas que abrimos aqui para arejar a fase da vida em que os pais se sentem mais perdidos