Uma investigação australiana revelou que os cerca de 2,7 milhões de gatos domésticos do país são responsáveis, todos os anos, pela morte de 390 milhões de animais de espécies nativas (pássaros, répteis e mamíferos). Se a isso se acrescentar o número de bichos mortos pelos gatos selvagens, a soma atinge os 1,7 mil milhões anualmente.
“Se queremos manter a vida selvagem nativa nas nossas cidades e vilas – em vez de introduzimos ratos e pássaros – então temos de fazer escolhas”, referiu, ao jornal The Guardian, Sarah Legge, a cientista australiana que liderou a investigação.
O estudo, realizado com várias técnicas para perceber os hábitos de caça dos gatos de estimação, como rastreadores GPS, coleiras com vídeo ou análise de fezes, levou os especialistas a concluir que os gatos são responsáveis pela extinção de dezenas de espécies e que ameaçam, agora, outras 120.
De acordo com os cientistas, os donos dos animais deviam mantê-los em casa ou passeá-los com trela. E este parece ser o busílis da questão. Aparentemente, os gatos não gostam muito de ser passeados.
O estudo, realizado em 2020, levou à adoção de medidas por parte das autoridades australianas. Alguma cidades impuseram um recolher obrigatório para gatos e outras proibiram mesmo a sua saída de casa.
A partir de julho, todos os gatos de Camberra, capital da Autrália, devem ser mantidos dentro de casa. A exceção aplica-se caso os animais sejam passeados com trela.
Só que, ao contrário dos cães, os gatos gostam de comandar as suas deambulações pelas ruas.
Segundo a veterinária australiana Jacqui Ley, especialista em comportamento animal, é “possível ensinar um gato a andar com trela”, disse ao The Guardian. “Alguns gostam de passear com coleira”, referiu. “São como as pessoas, uns são muito mais sociáveis e extrovertidos e outros gostam mais de ficar em casa.” O truque, garante, é saber que tipo de gato se tem em casa.
A verdade, nota a especialista, é que treinar um gato para andar com trela não é a tarefa mais rápida do mundo.
Como deve treiná-lo para passear com trela:
Primeiro é preciso encontrar o “arnês certo” (uma coleira não serve), diz a veterinária, e pô-lo no gato enquanto este está em casa, para se ir habituando à nova “armadura”. Como em muitos processos de treino com animais, as recompensas – na forma de biscoito próprio – são essenciais para manter o bicho motivado.
Depois, prende-se a trela ao arnês e passeia-se o gato pela casa, sem puxar a trela. Quando perceber que o animao está confortável no seu novo modo de passeio leve-o à rua.
No entanto, a Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals australiana continua a “não recomendar, no geral, que se passeiem gatos com arnês e trela”, apesar de admitir que os donos dos animais tenham tido sucesso neste treino. Isto porque, dizem, esta forma de passear pode stressar o gato, sendo preferível deixá-lo à solta num ambiente controlado, em que não possa fugir. A associação também disse estar contra o passeio de gatos em parques públicos.
Para salvar a vida selvagem nativa e evitar ter um gato balofo em casa, muitos australianos estão a treinar os seus animais para andarem com trela.