Um artigo recentemente publicado na revista norte-americana The Atlantic, conta a história de uma mulher que optou por eliminar de vez a menstruação da sua vida. No relato, é possível ler a experiência pessoal e todo o tipo de opiniões com que se confrontou ao longo do processo.
Se, segundo o artigo, nos Estados Unidos estes procedimentos são cada vez mais habituais, em Portugal o panorama é algo diferente. A ginecologista e obstetra Inês Leitão explica que em Portugal é muito raro uma mulher fazer este tipo de opção.
“As portuguesas são mulheres que gostam de ter a menstruação, ao contrário das brasileiras”, que aparentemente têm mais em comum com as norte-americanas do que as portuguesas.
A autora do artigo, que está livre de menstruação há já algum tempo , foi confrontada com várias questões, tanto de amigos como de outros profissionais da saúde. A principal questão passava pela gravidez. E se no futuro quiser engravidar?
Inês Leitão refere que não há qualquer consequência a nível de saúde. “Estes são processos reversíveis, basta deixar de tomar a pílula contínua ou retirar o dispositivo e assim a mulher pode engravidar” quando bem entender. Aliás “quando a mulher tem relações sem qualquer proteção logo a seguir à interrupção do tratamento, há ainda mais probabilidade de conseguir engravidar”.
Qualquer método usado para erradicar de vez a menstruação, seja a toma da pilula contínua ou o uso de um dispositivo intrauterino, “não tem qualquer problema para a saúde da mulher”, esclarece Inês Leitão de modo a desmistificar aquela ideia de que interromper a menstruação é algo muito prejudicial para a saúde.
Segundo a médica, estes processos não têm prós nem contras, “são uma questão de opção pessoal”. Ainda que, os casos mais habituais, em Portugal, fiquem a dever-se maioritariamente a questões de saúde “como as hemorragias ou a anemia, embora também haja quem o faça por conforto.”
Quanto à questão polémica se é ou não algo natural, Inês Leitão esclarece que “o fisiologicamente natural é a mulher ter a menstruação” mas não há qualquer problema em contornar a questão caso essa seja a opção da mulher.
Os métodos mais comuns são a toma da pílula contínua, ou seja, tomar o comprimido sem qualquer interrupção, ou a introdução de um dispositivo intrauterino, que ao libertar uma hormona vai encolher o endométrio e assim travar as menstruações mensais.
Inês Leitão reforçou que antes de a mulher fazer qualquer escolha, deve aconselhar-se primeiro com os médicos, que lhe indicarão todas as opções viáveis e a que melhor se adapta a cada caso.
Para a autora do artigo do The Atlantic, livrar as mulheres da menstruação é um bónus, que as faz poupar dinheiro, tempo, dores e todo o stress que envolve estes “dias tão difíceis do mês”. A autora termina o artigo a dizer que prefere este tipo de alternativas, que reconhece serem “nada naturais”, mas com isso evitar aquilo que considera ser “uma maldição mensal”.