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José Xavier é o português que mais tempo passou entre os gelos dos mares do sul
José Xavier
Acabado de regressar do fim do mundo, José Xavier, 34 anos, apresenta o record do português que mais tempo passou entre os gelos dos mares do sul: nove meses isolado em Bird Island, uma base britânica, com quatro quilómetros de comprimento por um de largura, a dividir o território com outros três cientistas. Sujeito a temperaturas que oscilam entre os 25 graus negativos e os cinco positivos, o biólogo passou todo o seu tempo a estudar os efeitos das alterações climáticas na vida de pinguins e albatrozes, além de cozinhar e dividir com os colegas as tarefas de manutenção da casa
Numa primeira análise, os cientistas já perceberam que a população de albatrozes está a declinar, muito à conta da pesca, já que as aves são atraídas pelo isco, e os pinguins, em virtude da diminuição da área gelada, morrem por falta de alimento.
Durante o Inverno austral, a ilha, à qual se chega de barco, fica completamente isolada. Os cientistas têm, portanto, de ser completamente auto-suficientes. A gestão dos mantimentos, a reciclagem do lixo, a limpeza do espaço, a cozinha – em cada dia havia um responsável pela preparação das refeições- tudo está definido à partida. Antes de seguirem viagem, os biólogos aprenderam algumas técnicas de primeiros socorros e até os procedimentos mais básicos da medicina dentária. A dada altura foi mesmo preciso tratar um dente fracturado a um dos cientistas. Graças à telemedicina e ao jeito da única mulher da comitiva, o dente ficou tratado, com direito a anestesia e tudo. “Em Bird Island estamos a mil quilómetros do hospital mais próximo”, explica.
Mesmo em total isolamento, José Xavier diz que não se dá pelo tempo a passar. “Todos os dias tinha de fazer uma contagem à população de albatrozes e pinguins, de os medir – ainda tenho marcas de quando não os agarrava bem-, além de cumprir todas as tarefas domésticas”, relata. Nos dias de sol também tinham direito a praticar snowboard, tirar fotografias e fazer escalada. Apesar de ter acabado de chegar à civilização, o cientista da Universidade de Coimbra, já pensa na sua próxima viagem, em 2011.