A primeira toma da vacina contra a Covid-19 terá passada despercebida. Mas à segunda toma, que ocorreu ontem, sexta-feira, já não foi possível disfarçar na delegação do INEM do Norte, no Porto, que os dez funcionários da pastelaria “São Jorge” e o seu proprietário estavam incluídos no rol de pessoas a serem vacinadas.
A ordem para a imunização partiu do diretor regional do INEM/Norte, António Rui Barbosa, confirmou, à VISÃO, fonte oficial do Instituto de Emergência Médica, que adiantou que a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) irá abrir um inquérito ao ocorrido.
António Rui Barbosa autorizou que aquele grupo de pessoas, cujo espaço onde trabalham está localizado no rés-do-chão de um edifício ao lado do INEM na Rua Dr. Alfredo Magalhães, fosse considerado prioritário, como se de elementos da Emergência Médica se tratassem.
Este dirigente acabou por apresentar a demissão na tarde deste sábado. Mas o pedido, enviado por email ao presidente do INEM, Luís Meira, não foi logo aceite, de acordo com a instituição.
No grupo dos dez funcionários da “São Jorge” já vacinados estão todos os empregados de mesa, cozinheiras e empregadas de limpeza.
António Rui Barbosa assumiu, já esta tarde, numa declaração à imprensa no INEM, no Porto, que não reportou aos superiores hierárquicos, nem às autoridades de saúde aquela que foi uma decisão pessoal.
“Formalmente não foi comunicado que administrámos onze vacinas a pessoal externo do INEM”, disse, defendendo que “a solução seria deitar fora” doses.
O responsável, que disse que “há condições para continuar” à frente da Emergência Médica no Norte, não conseguiu explicar porque motivo decidiu vacinar o dono e funcionários da pastelaria e não contactou os bombeiros locais ou trabalhadores com funções públicas, como funcionários de escolas, sobre se haveria disponibilidade para tal. “São duas coisas completamente diferentes”, descartou, sem sustentar a resposta.
António Rui Barbosa disse que, talvez, começou por haver “naturalmente” um erro no pedido de vacinas para a instituição no Norte, que recebeu 85 ampolas, correspondente a 425 doses. Depois, “do universo prioritário ficaram de fora 60 pessoas, entre médicos e enfermeiros que prestam apoio ao INEM”, tendo sobrado doses.
“Fui confrontado com a necessidade de tomar a decisão. Ninguém compreenderia descartar as vacinas”, disse.
Este é mais um episódio a juntar-se à alegada toma indevida de vacina por vários quadros de apoio ao presidente do INEM, Luís Meira, que levou o secretário de Estado da Saúde a pedir uma investigação à IGAS.