Rafael Esteves Martins, assessor de Joacine Katar Moreira, anunciou na sua conta pessoal do Facebook que vai abandonar o Livre. “Não posso ficar mais no Livre, retirando-lhe consequentemente qualquer confiança política”, escreveu esta manhã, à mesma hora em que o partido confirmava em conferência de imprensa que tinha decidido desvincular-se da deputada.
Desde a noite de quinta-feira que a VISÃO tentava contactar Rafael Esteves Martins para obter um comentário à decisão – que já se adivinhava – de a Assembleia do Livre de retirar a confiança política à sua única representante na Assembleia da República, sempre sem sucesso.
Esta sexta-feira, 31, a primeira reação surgiu através do Facebook, mas foca-se na sua própria relação com o partido. “Não reconheço o Livre que ajudei a fundar”, começa por referir aquele que ficou conhecido como o assessor parlamentar de Joacine Katar Moreira. “Os tempos que correm esclarecem-nos acerca das alianças: não de quem está necessariamente connosco, mas de quem não larga *mesmo* a mão de ninguém”, continua, antes de anunciar a sua decisão: “Por isto, eu não posso ficar mais no Livre, retirando-lhe consequentemente qualquer confiança política.”
À VISÃO, fonte oficial do partido confirma essa decisão de Esteves Martins. Nas últimas horas, o assessor de Joacine fez chegar aos órgãos do partido o pedido formal de desvinculação.
Na conferência de imprensa, o porta-voz da direção, Pedro Mendonça, reconheceu que havia “riscos” inerentes à decisão tomada pelo Livre na madrugada desta sexta-feira. “Existe a possibilidade de alguns membros quererem sair, mas também existe possibilidade de alguns quererem entrar”, admitiu. O porta-voz do partido reconhece que a retirada de confiança política a Joacine Katar Moreira provoca “danos no partido”, que andou “a lutar anos e anos por uma representação parlamentar”, acabando por conquistá-las nas eleições de outubro. Agora, volta a não ter palco no Parlamento. Mas, diz Pedro Mendonça, o partido teria de “fazer uma escolha”. “Entre cargo e valores, optámos pelos nossos valores; sabemos que vamos pagar, mas estamos dispostas a isso.”
Também no Facebook, outro militante, desta vez de Braga, deu conta de que iria afastar-se da militância do Livre. Em resposta à publicação de Rafael Esteves Martins, Hélder Filipe Azevedo diz que, “hoje mesmo”, partilhou por várias redes sociais a sua “carta de desvinculação”, com “efeitos imediatos”. Razão: “Não só pela deriva ideológica mas, também, em solidariedade com Joacine Katar Moreira.”
Dos 41 membros da Assembleia que se reuniram durante mais de oito horas na sede do partido, 34 votaram a favor da ratificação da retirada de confiança e os outros sete votaram contra (num balanço que se traduz numa aprovação por 83% dos membros do partido). Pedro Mendonça – com as dirigentes Safaa Dib e Ana Raposo Marques ao lado – disse tratar-se de um “momento dificl” mas “necessário” na vida do partido. “Não foi uma decisão fácil, não foi uma decisão precipitada ou pouco discutida”, defendeu ainda o porta-voz do Livre.
Ainda esta sexta-feira, o partido fará chegar uma carta ao Presidente da Assembleia da República para reiterar a posição assumida de madrugada. Mas não deixou de assinalar que a rutura com a sua única deputada tem efeitos imediatos. “A partir deste momento, tudo o que Joacine Katar Moreira disser ou fizer na sua acão política, concordemos ou não com ela, não representa os nossos órgãos.”