O Bloco de Esquerda (BE) anunciou esta segunda-feira que Ricardo Robles demitiu-se do cargo de vereador da Câmara Municipal de Lisboa, na sequência da polémica suscitada por uma notícia do Jornal Económico de que comprou um prédio em Alfama por 347 mil euros em 2014 e, após reabilitação, o tinha tentado vender por 5,7 milhões de euros no ano passado.
“Informei ontem, domingo, a coordenadora da Comissão Política do Bloco de Esquerda da minha intenção de renunciar aos cargos de vereador na Câmara Municipal de Lisboa e de membro da comissão coordenadora concelhia de Lisboa do Bloco de Esquerda”, anuncia, num breve comunicado, o dirigente bloquista, que justifica a decisão da seguinte forma: “Uma opção privada, forçada por constrangimentos familiares que expliquei e no respeito pelas regras legais, revelou-se um problema político real e criou um enorme constrangimento à minha intervenção como vereador.”
Robles, que já em 2014 era deputado municipal pelo BE, sublinha na nota enviada às redações que se trata de uma “decisão pessoal” tomada “com o objetivo de criar as melhores condições para o prosseguimento da luta do Bloco pelo direito à cidade”.
Recorde-se que, na sequência da notícia do Jornal Económico, o dirigente bloquista foi acusado de incoerência por ter feito campanha nas autárquicas de 2017 e tomado posições públicas contra a especulação imobiliária e, agora, ter alegadamente praticado um ato desse tipo.