Homem sem sono:
O mais recente candidato à Presidência da Repúbliuca dorme três a quatro horas por noite. Durante a vigília, passa em revista os livros que vai recebendo, toma notas, trabalha, prepara aulas, atualiza a informação e, não raramente, responde a telefonemas, acordando os seus interlocutores entre as três e as cinco horas da manhã…
Mergulho na praia:
É conhecido o seu gosto pelo ritual do mergulho na praia da Conceição, em Cascais, muitas vezes à hora do almoço e sem olhar a estações do ano.
Taekwondo:
Teve aulas da arte marcial Taekwondo, e treinava um dos movimentos quando cumprimentava alguém desprevenido, desequilibrando a vítima com um simples aperto de mão.
Imaginativo:
Muitas vezes foi acusado de se divertir a lançar notícias inventadas. Gosta de fazer raides por locais como o bar do Ritz, em Lisboa, onde sabe que é fácil surpreender figuras públicas em encontros discretos. Mostra-se, cumprimenta, e faz notar que viu tudo… Conservou, até muito tarde, o hábito infantil de tocar às campainhas de residências e fugir, atividade que particularmente o divertia.
Zé do Telhado:
Durante o PREC, participou em escaldantes reuniões do PPD e ficou particularmente célebre a ocasião em que teve de se escapulir, correndo pelos telhados de Beja, para evitar uma espera organizada por elementos afetos ao PCP.
Conflito:
Francisco Pinto Balsemão nunca lhe terá perdoado o facto de ter sido brindado, ainda nos tempos do Expresso, com o epíteto de “lélé da cuca”, pelo irreverente jovem professor. Desde então, as relações são cordiais, mas distantes.
Comentador:
O salto da escrita para o audiovisual do comentador Marcelo começou nos princípios da TSF, ainda nos anos 80, com o célebre Exame, onde dava notas aos políticos. Chegou a ter uma coluna de opinião na VISÃO, no início dos anos 90.
Candidato:
Foi candidato à Câmara Municipal de Lisboa, em 1989, contra Jorge Sampaio. A direita governara, vários anos, pelo carismático Krus Abecasis (CDS), a principal autarquia do País. O PS era 3.ª força, atrás do PCP, quando Sampaio se lançou na corrida, aliado aos comunistas, na Coligação Por Lisboa (de que o jovem António Costa seria um dos principais operacionais…). Surpreendentemente, Marcelo perdeu o debate televisivo com o adversário socialista – e também perdeu as eleições.
Mergulho no Tejo:
Na campanha autárquica de 1989, para chamar a atenção para a poluição das águas do Tejo, mergulhou no rio, frente à zona ribeirinha de Lisboa, numa operação muito mediatizada. Na mesma altura, conduziu, durante um dia, um táxi, ouvindo os munícipes seus “clientes”.
Vichyssoise:
Encontrando, por acaso, numa rua de Lisboa, o então diretor de O Independente, Paulo Portas, fez-lhe o relato de um nunca realizado jantar em, Belém, em que o Presidente Mário Soares, teria reunido com várias figuras da política e conselheiros e em que, supostamente, ele próprio teria estado presente. O requinte da invenção foi ao ponto de referir que tinha sido servida uma vichyssoise (uma sopa fria de origem francesa). Paulo Portas, procurando confirmar a informação com outros alegados convivas do famoso jantar, ficou a saber que ele nunca tinha ocorrido. O incidente foi relatado por Portas, ainda jornalista, num programa de Herman José, na RTP.
Cristo na Terra:
No estertor do cavaquismo, o seu nome foi falado para a presidência do PSD. Negando veementemente, Marcelo diria que não seria candidato. “Nem que Cristo desça à Terra!”, reforçou.
Líder do PSD:
Não obstante, passado pouco tempo, seria mesmo líder dos sociais-democratas, conduzindo uma oposição séria e construtiva, contemporânea do primeiro Governo de António Guterres, de quem era próximo, desde a juventude, no ativismo católico pré-revolução. Viabilizou orçamentos do governo minoritário socialista, mas impôs o referendo à regionalização, que os portugueses chumbariam. Na liderança do PSD, teve a coragem de denunciar a captura da política pelos interesses económicos, o que terá ocasionado algumas dificuldades de financiamento do partido…
Nova AD:
Ainda líder da oposição, reaproximou-se de Paulo Portas, já líder do CDS, numa coligação pré-eleitoral chamada “Alternativa Democrática”, reeditando a sigla AD (Aliança Democrática) que, em 1979 e 1980, sob a liderança de Sá Carneiro, tinha juntado, vitoriosamente, o CDS, de Diogo Freitas do Amaral, e o PPM, de Gonçalo Ribeiro Telles. Esta nova AD morreu antes de chegar às eleições, com acusações mútuas de traição. Marcelo demitiu-se na sequência desses acontecimentos, sendo substituído por Durão Barroso, que chegaria ao Governo, em 2002, após a queda de Guterres.
Prédica dominical:
A TVI recuperou-o como comentador e a televisão foi o palco que o tornou definitivamente popular. Bom comunicador, próximo do espectador, irreverente, com sentido de humor, Marcelo falava de tudo – da política ao futebol e era campeão de audiências.
Rutura com Santana:
Durante o Governo de Pedro Santana Lopes, Marcelo tornou-se especialmente cáustico e, embora figura grada do PSD, comportava-se como um verdadeiro líder da oposição. Num golpe palaciano, e por alegadas pressões governamentais sobre a TVI, o programa acaba em 2004. Viria a transferir-se para a RTP e, mais tarde, regressaria à TVI. Graças a este importante palco, pode dizer-se que o professor anda em campanha há mais de dez anos…