Em tempos imprevisíveis, comecemos por uma adivinha: qual o europeu favorito da família Trump? Viktor Orbán, o primeiro-ministro da Hungria? Giorgia Meloni, a chefe do governo de Itália? Não, não é nenhum dirigente nacional-populista do Velho Continente. Dica: é um homem de 51 anos, pugilista amador e antigo trabalhador da construção civil. Já identificou a personagem que, em outubro, participou na campanha presidencial republicana no estado da Pensilvânia, que já visitou Mar-a-Lago (a residência principal da mais poderosa dinastia norte-americana da atualidade), ou que, em janeiro, assistiu à tomada de posse do 47º Presidente e até conseguiu entrar na Sala Oval?

Chega de perguntas disparatadas, embora todas assentem em factos e dos que não são alternativos. Estamos a falar de Jorgen Boassen, o gronelandês que se tornou o principal representante do movimento MAGA (Make America Great Again) na maior ilha do mundo. Graças a este novo trabalho, pelo qual começou a ser pago recentemente, o corpulento ativista tornou-se uma celebridade internacional e com direito a dizer de sua justiça em títulos como o New York Times, Le Monde, Rolling Stone ou Politiken. Só o seu talento comunicacional e o apoio incondicional a Trump justificam tanta atenção, a pretexto das eleições legislativas no inóspito território 23 vezes maior do que Portugal e onde só vivem 57 mil almas ‒ o que confere à Gronelândia o recorde de mais baixa densidade populacional do planeta. “Aqui, detestam-me, e acham que sou um traidor ao meu país”, afirmou Boassen à agência AFP, explicando que tem recebido “ameaças de morte” por defender o homem que, desde 2019, tem feito sucessivas propostas para adquirir ou conquistar a ilha, “de uma maneira ou de outra” ‒ Trump dixit, na passada semana, em pleno Congresso. Paradoxalmente, o antigo trolha não acredita que o seu ídolo político alguma vez ordene uma invasão militar da nova ilha do tesouro, assim chamada devido à localização estratégica (ver infografias) e por regurgitar de riquezas naturais (petróleo, gás, rubis, urânio, minérios de terras raras…): “Ele diz muita coisa para obter o que pretende (…). Sabe, é a ‘arte do negócio’” ‒ afirma o “Trump gronelandês”, referindo-se ao mais conhecido livro da autoria do ex-promotor imobiliário nova-iorquino.

