“Digo fase crucial porque agora estamos na fase de reintegração, na fase das pensões, que explicámos outra vez que apesar de não ter sido comparticipado [descontos para as pensões] pelos desmobilizados, o Governo decidiu assim fazer. E às vezes há impaciência. Mas é um processo que requer a documentação e está a correr bem, quanto a nós”, afirmou o chefe de Estado.
Filipe Nyusi dirigiu hoje a abertura da conferência internacional “Moçambique no Conselho de Segurança das Nações Unidas: Promovendo a Paz e Segurança Internacionais”, que visa partilhar a experiência do país durante os primeiros dez meses como membro não permanente daquele órgão.
“Demos maior enfoque à nossa experiência no processo do DDR e no combate contra o terrorismo em Cabo Delgado”, explicou o Presidente, sobre a atuação neste período.
O processo de DDR, iniciado em 2018, abrange 5.221 antigos guerrilheiros da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo, maior partido da oposição), dos quais 257 mulheres, e terminou em junho último, com o encerramento da base de Vunduzi, a última da Renamo, localizada no distrito de Gorongosa, província central de Sofala.
O Acordo Geral de Paz de 1992 colocou fim à guerra dos 16 anos, opondo o exército governamental e a guerrilha da Renamo. Foi assinado em Roma, entre o então Presidente Joaquim Chissano e Afonso Dhlakama, líder histórico da Renamo, que morreu em maio de 2018.
“Acredito que a correr dessa forma, o processo [de DDR] terá o seu fim não muito tarde. Já mais de 250 pensões foram fixadas, mas o Tribunal Administrativo também está a flexibilizar o processo”, afirmou ainda o chefe de Estado moçambicano.
Em 2013 sucederam-se outros confrontos entre as partes, que duraram 17 meses e só pararam com a assinatura, em 05 de setembro de 2014, do Acordo de Cessação das Hostilidades Militares, entre Dhlakama e o antigo chefe de Estado Armando Guebuza.
Já em 06 de agosto de 2019 foi assinado o Acordo de Paz e Reconciliação Nacional, o terceiro e que agora está a ser materializado, entre o atual Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, e o líder da Renamo, Ossufo Momade.
Referindo-se ao mandato de Moçambique no Conselho de Segurança, Filipe Nyusi afirmou que essa “prestigiante” eleição “não foi obra do acaso”, tendo resultado “do empenho, dedicação e elevado sentido patriótico da vasta equipa de trabalho do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação”.
“Em última análise, a nossa candidatura foi uma clara demonstração do que quando nós, os moçambicanos, abraçamos uma causa e nos unimos em torno do interesse nacional, somos capazes de vencer os desafios de qualquer dimensão”, afirmou, recordando que Moçambique assumiu a presidência daquele órgão em março, dois meses depois de assumir o seu mandato.
“De facto, os moçambicanos devem sentir orgulho pelo facto de o país afirmar-se como um Estado que granjeia respeito no concerto das nações e cuja experiência diplomática é promover e influenciar posições e consensos com os cinco membros permanentes sobre projetos de resoluções, declarações presidenciais, comunicados e outras questões no âmbito da promoção da paz e segurança internacionais”, destacou igualmente.
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