“Hoje sonhei com um cometa. Passou rápido, mas deixou um rasto.” É com esta frase que Playback: Um Filme Sobre Carlos Paião e o seu protagonista abrem e fecham o arco narrativo. E dificilmente poderia encontrar-se imagem mais certeira para resumir o homem que escreveu Playback, Cinderela, Pó de Arroz e tantas outras canções que os portugueses continuam a cantar, mesmo quando já não se lembram de quem as escreveu e celebrizou. Carlos Paião passou depressa. Demasiado depressa. Mas deixou um rasto tão luminoso que, quase 40 anos depois, ainda se ouve em casamentos, festas e arraiais.
O filme percebe uma coisa essencial: Paião não precisava de uma autópsia cinematográfica, precisava de movimento. Não precisava de uma redoma de saudade, mas de voltar a cantar, a brincar e a apaixonar-se. Playback talvez seja coisa melhor do que um filme solene: é feliz, comunicativo e feito para o público.
