Já se considera ser o maior acordo financeiro de divórcio da Inglaterra: o primeiro-ministro dos Emirados Árabes Unidos e príncipe do Dubai terá de pagar mais de 650 milhões de euros à princesa Haya, a sua ex-mulher.
Condenado esta terça-feira pelo juiz Justice Moor, o Sheikh Mohammed bin Rashid al-Maktoum terá assim de pagar quase 300 milhões de euros nos próximos três meses, um valor que já inclui os custos associados à segurança da princesa até ao resto da sua vida. Além disso, terá também de garantir um fundo de quase 350 milhões de euros numa conta no banco HSBC e suportar todos os custos associados à segurança dos seus filhos até atingirem a maioridade e 3,5 milhões de euros para a sua educação.
No total, o valor exato da indenização é difícil de avaliar porque o tribunal ordenou que o primeiro-ministro, de 72 anos, pague os custos anuais de segurança de milhões de libras pelos seus filhos, de nove e 14 anos, até ao resto das suas vidas ou até nova ordem judicial. Este caso dá um raro panorama de como a elite do Golfo gere a sua riqueza, algo que o juiz disse ser “um padrão de vida verdadeiramente opulento e sem precedentes”.
O tribunal calculou que o orçamento anual da princesa Haya em 2019 foi mais de 85 milhões de euros além da casa que tem perto do Palácio de Kensington com seis empregados, avaliada em mais de 11 milhões, e uma mansão de mais de cinco milhões de euros.
A princesa Haya, que fugiu do Dubai para Londres em 2019, pediu ao tribunal 1,6 mil milhões para a manutenção dos dois filhos, mas optou por não reivindicar dinheiro da conta própria como ex-esposa – exceto pelos custos de segurança vitalícia e mais de 113 milhões de euros de indenização pelos seus bens pessoais – a coleção de joias de diamantes, pérolas, safiras e esmeraldas que deixou no Dubai .
Este acordo marca a fase final de uma das batalhas mais duras entre o casal, que levou a uma decisão de um juiz do Supremo Tribunal britânico, em outubro, referindo que Mohammed estava preparado para usar sua “imensa riqueza, poder político e influência internacional” contra a princesa de 47 anos. As descobertas mancharam a reputação internacional do líder, que tem laços profundos com país.
A princesa Haya está a receber uma pensão de alimentos provisória e disse ao tribunal que desde que chegou a Inglaterra, em 2019, está “a corroer rapidamente o seu capital”. “Ela disse que a sua situação financeira era tão má que estava a aproximar-se rapidamente do ponto em que teria que vender pinturas, mas ela não queria fazer isso porque as crianças iriam aperceber-se das suas dificuldades pois haveria espaços vazios nas paredes da propriedade ”, lê-se na decisão do juiz.