Esta quinta-feira, dois dias depois do prazo inicial para o fim da correção dos exames nacionais, havia professores a queixarem-se de não ter acesso às folhas de continuação de algumas das respostas que estavam a avaliar. Sem saber como classificar itens cuja resposta não está na íntegra digitalizada, procuraram instruções junto do EduQA/JNE, o organismo responsável pelo processo. A instrução que alguns deles receberam é para dar a avaliação como concluída mesmo que incompleta.
A VISÃO teve acesso a três mensagens que mostram que essa instrução foi dada aos corretores. Numa delas, assinada pelo coordenador da Delegação Regional do JNE (Júri Nacional de Exames) do Centro, João Ricardo Tavares Neves, é dito que “os classificadores devem classificar os itens que têm com a informação disponível, podendo os alunos, posteriormente, solicitar a reapreciação da prova”.
Numa outra resposta do EduQA/JNE, enviada via plataforma de exames, a mensagem é também para dar como concluída a avaliação, mesmo sem a digitalização completa. “Informamos que devem classificar os itens como estes se encontram apresentados na plataforma”, pode ler-se na mensagem a que a VISÃO teve acesso.
Ordem para dar zero a pergunta incompleta
Noutro caso, a ordem veio do Agrupamento de Santarém e é reportada por uma professora na própria plataforma. Nessa mensagem a que a VISÃO teve acesso, a professora explica que lhe pediram “por contacto telefónico” que “atribuísse zero pontos à resposta” uma vez que “aguardava ainda a folha de continuação”.
A denúncia deu entrada na plataforma já no dia 16 de julho e a docente revela que apesar de ter pedido essa ordem por escrito tal não aconteceu. “Perante a minha resistência, fui intimidada a fazê-lo, com o argumento de que as provas têm mesmo que ficar concluídas hoje”.
Tal como no caso das instruções do JNE da região centro, foi explicado à corretora que “o aluno pode pedir depois a reapreciação, por isso não há grande problema”. A mensagem da docente termina com um: “Como é isto possível? Sem palavras para tamanha desfaçatez!”.
A VISÃO contactou o gabinete do ministro Fernando Alexandre, mas fonte oficial do Ministério da Educação remeteu as explicações para o EduQA/JNE.
Até à hora de publicação desta notícia, o EduQA/JNE ainda não tinha dado resposta às perguntas da VISÃO.