O ministro egípcio da aviação civil admitiu esta quinta-feira que um “ataque terrorista” pode ser a explicação “mais provável” para a queda do avião da EgyptAir que efetuava de madrugada a ligação Paris-Cairo com 66 pessoas a bordo, entre os quais um português, funcionário da Mota-Engil em Joanesburgo, África do Sul.
“A situação pode, e digo bem, ‘pode’ porque não quero especular… deixar entender que a probabilidade, a possibilidade, de uma ação a bordo, de um ataque terrorista, é mais elevada que a de uma falha técnica”, sublinhou o ministro Cherif Fathy no decurso de uma conferência de imprensa.
“Mas não pretende retirar conclusões precipitadas”, precisou, citado pela agência noticiosa France-Presse.
Chefe das secretas russas não tem dúvidas: foi atentado
O chefe dos serviços secretos russos, Igor Bortnikov, afirmou hoje que tudo aponta para que tenha sido um atentado terrorista a derrubar o avião da Egyptair que se despenhou no Mediterrâneo com 66 pessoas a bordo.
“Por tudo o que já vimos, trata-se de um atentado terrorista que custou a vida a 66 pessoas de diversos países”, declarou Bortnikov aos jornalistas em Minsk, capital da Bielorrússia, citado pela agência russa Interfax.
O chefe do Serviço Federal de Segurança (FSB na sigla em russo) apelou a “todas as partes interessadas, incluindo os parceiros da Europa” para que colaborem na investigação às “pessoas envolvidas neste atentado terrorista”.
No avião, que descolou de Paris rumo ao Cairo na noite de quarta-feira, desapareceu ao início da madrugada ao entrar no espaço aéreo egípcio.
A bordo seguiam 56 passageiros, incluindo um português, sete tripulantes e três agentes da segurança.
As autoridades francesas e egípcias não excluem por enquanto nenhum cenário para o desaparecimento do aparelho, seja ato terrorista ou problema técnico.
Duas curvas acentuadas antes de cair
O avião da Egyptair que se despenhou hoje no Mediterrâneo caiu 22.000 pés depois de virar acentuadamente duas vezes no espaço aéreo egípcio e desapareceu dos écrans dos radares, disse o ministro da Defesa grego.
“O avião fez uma volta de 90 graus para a esquerda e uma volta de 360 graus para a direita, caindo dos 37.000 pés para os 15.000 e o sinal perdeu-se por volta dos 10.000 pés”, disse Panos Kammenos numa conferência de imprensa.
Essas manobras foram registadas às 00:37 TMG (01:37 em Lisboa), precisou o ministro.
O voo MS804 da Egyptair fazia a ligação entre Paris e o Cairo com 66 pessoas a bordo, entre as quais um português, quando, cerca das 03:30 (hora de Lisboa) se despenhou a cerca de 130 milhas da ilha de Karphatos, no espaço aéreo egípcio.
O ministro acrescentou que a Grécia e o Egito lançaram uma ampla operação de buscas na zona a sul daquela ilha para encontrar o aparelho, um Airbus A320.
Destroços encontrados ao largo de Creta
As Forças Armadas gregas anunciaram ter encontrado destroços no mar ao largo da ilha de Creta quando procuravam o avião da Egyptair que se despenhou esta madrugada no Mediterrâneo com 66 pessoas a bordo.
“Foram encontrados a sudeste de Creta, dentro da zona de informação aérea do Cairo”, afirmou um porta-voz do Estado-Maior, Vassilis Beletsiotis à agência France Presse.
Fonte do Ministério da Defesa precisou à agência espanhola Efe que os destroços em causa estão a 50 quilómetros da ilha de Karpatos, tratando-se de pedaços de plástico com cordas cor de laranja.
Vassilis Beletsiotis acrescentou que os objetos a flutuar no mar foram localizados por um avião C-130 egípcio e que navios gregos estão a caminho do local.