Três meses depois de o ministro da Saúde chinês ter levado a cabo um esforço para impedir a realização de tratamentos não aprovados com células estaminais, uma investigação da revista Nature mostra que o negócio com base nestas terapias continua em crescimento, com os doentes a pagarem milhares de euros.
Atualmente serão cerca de 100 as clínicas na China que oferecem tratamentos não autorizados – e não testados – a quem esteja disposto a desembolsar pequenas fortunas, na esperança de se curar de doenças como Parkinson, Alzheimer, diabetes e até mesmo autismo. O “turismo de saúde” está a atrair milhares de pessoas de todo o mundo.
Em 2009, o Governo chinês classificou os tratamentos com células estaminais como sendo de “alto risco” e proibiiu a sua realização, mas apesar da ilegalidade, as clínicas funcionam às claras, anunciando as alegadamente promissoras terapias nos seus sites.
Em janeiro deste ano, o ministério da Saúde anunciou um pacote de medidas para regulamentar esta atividade, incluindo a obrigação de as clínicas fazerem um registo das suas investigações, indicando a fonte das células estaminais e os procedimentos seguidos, mas, segundo a Nature, em três meses nada mudou e nenhuma clínica se registou oficialmente.
Os responsáveis das clínicas não garantem o sucesso dos tratamentos mas argumentam que, caso não surtam o efeito desejado, mal também não fazem. Os especialistas, contudo, alertam que os riscos que corre quem se submete a estas terapias não são poucos e vão desde doenças auto-imunes a cancro.
Relata a Nature que, num dos bairros mais ricos de Shangai, opera a clínica WA Optimum, que oferece um tratamento que implica quatro a oito injeções de células estaminais (com preços entre os 3.600 e os 6 mil euros cada uma) para tratar a Alzheimer. O alegado tratamento para o autismo é ainda mais caro.