Pelo menos 38 pessoas foram mortas nas violentas manifestações e motins registadas no Egito desde sexta-feira, o que aumenta para 48 o número de mortos desde terça-feira, indicaram fontes oficiais do ministério da Saúde.
Turistas estrangeiros egípcios começaram a acorrer ao aeroporto principal do Cairo, à procura de voos para fora do país, numa altura em que os violentos protestos para forçar a demissão do governo parecem dar poucos sinais de abrandamento.
O embaixador português no Egito, Aristides Vieira Gonçalves, afirmou que não recebeu até agora nenhum pedido de retorno a Portugal por parte de portugueses neste país.
O Egito, o maior país árabe, com uma população de 80 milhões de pessoas. Ao longo dos últimos dias milhares de pessoas protestam nas ruas e exigem a demissão do presidente Hosni Mubarak, no poder há 30 anos.
Pelo menos doze pessoas morreram numa troca de tiros entre beduínos e forças de segurança egípcias na península do Sinai, próxima da fronteira do Egito com a Faixa de Gaza.Segundo a agência noticiosa israelita Ynetnews, citada pela AFP, os confrontos aconteceram hoje no norte do Sinai quando um grupo de beduínos armados atacou a guarda fronteiriça em Rafah.Os atacantes queimaram os edifícios do Governo no entroncamento de Rafah e também na localidade de El Arish, mais a sul.
O Exército egípcio apelou ao “grande povo do Egito” para “respeitar o cessar-fogo” e para que não se juntem em locais públicos, num comunicado divulgado pela agência noticiosa oficial Mena.”
Ao grande povo do Egito, tendo em conta que certos elementos fora da lei cometeram atos de vandalismo sobre propriedades públicas e privadas e aterrorizando os cidadãos, as forças armadas apelam a todos para não se reunirem nas ruas e praças principais”, afirma o comunicado citado pela France Presse.”As forças da ordem exortam todos a respeitarem o cessar-fogo entre as 18:00 e as 07:00 da manhã até nova ordem, sob pena de sanções legais”, lê-se no mesmo comunicado.
O Presidente da União Europeia, Herman Van Rompuy, apelou ao “fim da violência para evitar o derramamento de sangue” no Egito. “Apelo ao fim da violência para parar o derramamento de sangue, à libertação dos que foram detidos ou estão em prisão domiciliária por razões políticas, e ao compromisso das personalidades políticas para porem em marcha o necessário processo de reforma”, lê-se no comunicado. Herman Van Rompuy afirma ainda “esperar sinceramente que as promessas de abertura do presidente Mubarak se traduzam em ações concretas”.
Na sexta-feira, 12 pessoas foram mortas no Cairo, uma em Guiza, perto da capital, três em Porto Said (perto do Canal do Suez), oito em Alexandria, 12 no Suez e duas em Mansoura (no delta do Nilo).Por outro lado, 1.900 pessoas ficaram feridas na sexta-feira, entre as quais 500 polícias, indicaram as mesmas fontes.