O ar é o principal componente da caverna que cobre agora a Pont Neuf – e só isso já diz muito sobre a intervenção artística de JR. À primeira vista, sobressai naturalmente a lona impressa por uma pequena empresa familiar de Plougoumelen, na Bretanha, que cria um efeito tridimensional de trompe-l’oeil e uma aparência rochosa. Mas cabe ao ar preencher os 80 arcos estruturais do tecido e dar origem à forma exterior da caverna e ao túnel que será percorrido pelos visitantes.
Convidado pela Fundação Christo e Jeanne-Claude, que é dirigida por um sobrinho dos artistas, a reinventar a intervenção feita por eles na Pont Neuf, em setembro de 1985, JR inspirou-se nalguns projetos da dupla, nomeadamente em The Walk (Project for Doha), uma longa passarela insuflável, nunca concretizada, que permitiria experienciar o deserto a partir de uma nova perspetiva. Se tivesse uma estrutura leve, a sua caverna não sobrecarregaria demasiado a velhinha ponte sobre o rio Sena, pensou.

