Agustina Bessa-Luís tinha por Camilo uma autêntica devoção literária, de que nasceu, pelo menos, um livro de ensaios – Camilo: Génio e Figura – e um romance, Fanny Owen, onde o escritor é apresentado como um homem que tão depressa se deslumbrava com as mulheres como as esquecia, “reduzindo-as a narrativas, ou infamantes ou imateriais”. E Jorge de Sena, que não tinha boa boca, avançou sem hesitações para o elogio absoluto, chamando-lhe “prosador de génio e um realista mesmo com entrechos um tanto manchados de paixão romântica”.

Mas quem foi Camilo Castelo Branco, a quem quase todos identificarão o nome, talvez até mesmo a figura (afinal, andou anos estampado nas notas de 100 escudos), mas nem todos conhecerão a obra, uma das mais extensas e diversificadas da literatura portuguesa, cujo bicentenário do nascimento tem vindo a ser assinalado ao longo deste ano?
