O PS ferve por dentro. Ferro Rodrigues, ex-líder socialista, chegou a desabafar, numa mensagem enviada a vários camaradas de partido, que o PS corre o risco de se transformar “num grupo de idiotas úteis”, se não deixar claro que a “muleta do Governo” é o Chega e que os socialistas é que lideram a oposição. O desabafo indignado seguiu-se à última tentativa falhada de eleger o nome proposto pelo PS para a Provedoria de Justiça. Mas essa sensação de que o partido está com medo de assumir uma oposição mais firme não é só de Ferro nem tem apenas que ver com o chumbo nessa eleição. As várias vezes que as cartas enviadas por José Luís Carneiro a Luís Montenegro ficaram sem resposta e os acordos feitos entre AD e Chega em matérias como as leis da imigração e dos estrangeiros, o novo regime para o Ensino Superior e a Prestação Social Única (PSU) – só para nomear algumas – fazem vários socialistas mostrar impaciência com a estratégia de Carneiro. Apesar disso, no Largo do Rato, a ordem é para manter gelo nos pulsos.

“O PS não pode cair na tentação de dizer que agora o Governo só pode contar com o Chega para fazer acordos. Não podemos deixar a ideia de que somos uns radicais. Temos de, a cada processo, mostrar que há abertura”, diz à VISÃO um dirigente socialista, explicando que esse tom só pode mudar “quando houver eleições no horizonte”. Para já, a estratégia de José Luís Carneiro é para manter. “Só assim os portugueses podem olhar para nós como alternativa e levar-nos a sério”, defende um carneirista.
