O anúncio causará surpresa apenas nos muitos distraídos. O prémio, assim batizado a partir do poeta Fernando Pessoa, e com um valor pecuniário de 60 mil euros, distingue um percurso de enorme coerência e com uma marca autoral profunda e distintiva. Rui Chafes, 49 anos, é um nome maior da arte contemporânea portuguesa, com presença a nível nacional e internacional. Rigoroso, reservado, influenciado pelo romantismo alemão, tradutor de Novalis, este pai de três filhos trabalha num estúdio localizado na casa da sua infância, no Guincho. “Continuo a brincar mas com brinquedos maiores”, descreveu. Escultor do ferro, construtor de enormes peças negras com identidade visual reconhecível, contou, em entrevista à VISÃO, que um amigo o levou, certa vez, a conhecer o filho de Almada Negreiros. O arquiteto José Almada Negreiros, que lhe era um estranho, assegurou-lhe que ele era um escultor. “Eu saí dali e obedeci, fui ser escultor. Nunca mais pus tal em causa.”
Este percurso coerente do artista plástico foi agora distinguido pelo júri do Prémio Pessoa, presidido por Francisco Pinto Balsemão e de que fazem parte Álvaro Nascimento, António Barreto, Clara Ferreira Alves, Diogo Lucena, Eduardo Souto de Moura, João Lobo Antunes, José Luís Porfírio, Maria Manuel Mota, Maria de Sousa, Mário Soares, Miguel Veiga, Pedro Norton, Rui Magalhães Baião, Rui Vieira Nery e Viriato Soromenho-Marques. Junta-se à lista ilustre de que fizeram parte o historiador José Mattoso (1987), o poeta António Ramos Rosa (1988), a pianista Maria João Pires (1989), a pintora Menez (1990), o arqueólogo Cláudio Torres (1991), os cientistas António e Hanna Damásio (1992), o filósofo Fernando Gil (1993), o poeta Herberto Helder (1994 – que recusou o galardão), o poeta e tradutor Vasco Graça Moura (1995), o neurocirurgião João Lobo Antunes (1996), o escritor José Cardoso Pires (1997), o arquitecto Eduardo Souto Moura (1998), o poeta Manuel Alegre e o fotógrafo José Manuel Rodrigues (1999), o compositor Emanuel Nunes (2000),o cinéfilo João Bénard da Costa (2001), o cientista Manuel Sobrinho Simões (2002),o constitucionalista José Joaquim Gomes Canotilho (2003), o escritor Mário Cláudio (2004), o actor Luís Miguel Cintra (2005), o cientista António Câmara (2006), a historiadora Irene Flunser Pimentel (2007), o arquitecto João Luís Carrilho da Graça (2008), o actual Cardeal-Patriarca de Lisboa D. Manuel Clemente (2009), a cientista Maria do Carmo Fonseca (2010), o ensaísta Eduardo Lourenço (2011), o escritor e tradutor Richard Zenith (2012) e a cientista Maria Manuel Mota (2013) e o historiador de ciência Henrique Leitão (2014).