A intervenção militar norte-americana começou às primeiras horas desta madrugada, em Caracas, com o objetivo de capturar o Presidente venezuelano, que foi retirado à força do país.
O Governo de Caracas fala numa “gravíssima agressão militar” dos Estados Unidos, após explosões na capital durante a noite, e decretou o estado de exceção.
A União Europeia já pediu “contenção” e o respeito pelo Direito Internacional, após os ataques aéreos norte-americanos na Venezuela, enquanto reiterou a falta de legitimidade do líder venezuelano.
“Falei com o secretário de Estado [norte-americano] Marco Rubio e o nosso embaixador em Caracas. A UE está a acompanhar de perto a situação na Venezuela”, afirmou, numa mensagem na rede X, a alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas.
“A UE afirmou repetidamente que o senhor Maduro carece de legitimidade e defendeu uma transição pacífica. Em todas as circunstâncias, os princípios do Direito Internacional e da Carta das Nações Unidas devem ser respeitados”, disse, acrescentando: “Pedimos contenção”.
Sem indicações de portugueses afetados
O Governo português adiantou este sábado à Lusa que não há, até ao momento, indicações de que cidadãos portugueses tenham sido afetados pelos ataques aéreos dos Estados Unidos contra a Venezuela.
“Até ao momento não temos indicação de que a comunidade portuguesa esteja a ser afetada”, indicou fonte oficial.
A embaixada de Portugal em Caracas e os consulados-gerais em Caracas e Valência apelaram hoje à comunidade portuguesa na Venezuela para se manter “tranquila e em casa”.
Os consulados-gerais portugueses na capital venezuelana e em Valência disponibilizaram “canais destinados a situações urgentes”, nomeadamente contactos telefónicos, correio eletrónico ou através da plataforma de mensagens Whatsapp, “reforçando o compromisso do Estado português com a proteção e assistência” dos cidadãos nacionais.
No mesmo comunicado, as autoridades referem que a utilização destes contactos destina-se “exclusivamente a situações de comprovada urgência”.
Além disso, recomendam que os cidadãos nacionais residentes na Venezuela mantenham os seus contactos atualizados, “a fim de garantir uma comunicação eficaz e atempada com os serviços consulares portugueses sempre que se revele necessário”.
Cerca de 220.000 pessoas estavam registadas nos serviços consulares na Venezuela em novembro do ano passado, mas este número não inclui os lusodescendentes, pelo que as autoridades calculam que a dimensão da comunidade “seja bastante superior”. A comunidade portuguesa na Venezuela é uma das maiores da diáspora, sendo a segunda maior da América Latina, depois do Brasil.