“A passagem pedonal não deve ser colocada nas imediações da saída da rotunda, devendo antes (…) localizar-se pelo menos a vinte metros da saída.”
Reza assim (com mais detalhes, que suprimi, para retirar densidade ao texto, sem, no entanto, lhe alterar o sentido global) o artigo da revista “Super Interessante” sobre um
estudo da Universidade de Coimbra, segundo o qual (entre muitas outras
indicações técnicas que o InIR irá adoptar), como se pode ler, as passadeiras não podem ser colocadas junto à saída das rotundas para diminuir os acidentes automóveis.
Eu sei que os engenheiros que elaboraram o estudo não são psicólogos e, por esse motivo, pouco percebem de pessoas e de comportamentos humanos, mas são assim tão líricos a ponto de acreditarem verdadeiramente que o peão comum vai mesmo caminhar mais quarenta metros (vinte para ir à passadeira e outros vinte para voltar para a esquina) em vez de arriscar e cortar a direito?
O que esta disposição normativa (assim se chama o estudo) vai induzir (e não é preciso ser-se doutorado para perceber algo tão simples) é passadeiras decorativas que ninguém vai utilizar e atropelamentos à saída das rotundas. Mas, se, com esta disposição, haverá menos colisões entre automóveis, isso é que é importante, não é? Afinal, as estradas foram feitas para nelas rolarem pneus e não para serem pisadas por sapatos, não é? Então, qual é o mal de se aumentar o risco para os peões se com isso se conseguir poupar uns trocos de bate-chapa e tinta Robbialac?