1. Ruy Leitão, com Alegria, Centro de Arte Manuel de Brito
Se virmos esta exposição sem nenhum contexto (o que nem é difícil, já que a grande maioria dos quadros não está datada nem tem título), sem nada sabermos do autor destas obras, a sensação que fica, no final, é a de termos percorrido um misterioso mundo colorido, com algumas notas de humor, pop e enigmático. Mas se soubermos quem foi Ruy Leitão, é inevitável que a experiência se contamine com algum sentido de tragédia, sombras que ofuscam a garridice daquelas cores primárias.

O artista nasceu em Washington DC (onde a sua mãe, a pintora Menez, vivia na altura), em 1949, e morreu em 1976, em Lisboa, aos 26 anos, saltando duma janela para a rua. A sua formação artística fez-se em Londres, onde foi discípulo de Patrick Caulfield, nome central na arte pop britânica, que muito o apreciava (chamou-lhe mesmo “génio”).
Em vida, o artista só teve duas exposições individuais (na Galeria 111, em 1970, e na Galeria da Emenda, em 1974), mas logo em 1985 a Fundação Calouste Gulbenkian dedicou-lhe uma retrospetiva. Esta, que agora se pode ver no CAMB, é a mais completa até à data (e inclui uma secção com fotografias). Arlete Alves da Silva, viúva do colecionador Manuel de Brito, fundador da Galeria 111, tem-se esforçado por manter viva a promessa que fez à amiga Menez: não deixar a obra de Ruy Leitão cair no esquecimento. P.D.A. CAMB > Campo Grande, 113A, Lisboa > T. 21 936 9734 > até 30 dez, ter-sáb 10h-14h, 15h-19h > grátis
2. Júlio Pomar, 10 Anos de Museu
Na Rua do Vale, em Lisboa, onde Júlio Pomar (1926-2018) viveu mais de 20 de anos, o Atelier-Museu do pintor volta a mostrar os núcleos fundamentais do seu acervo. Celebrando dez anos desde a abertura (o museu foi inaugurado a 5 de abril de 2013), esta nova abordagem em torno da coleção abrange diferentes épocas e temas, possibilitando a descoberta, ou a redescoberta, do trabalho do artista.
Há ainda peças expostas pela primeira vez. Pertencentes à Fundação Júlio Pomar, em depósito no Atelier-Museu, estas curiosidades incluem Portemanteau, obra de 2004, que o público poderá ver e mesmo utilizar.
Destaca-se, pela sua atualidade, o conjunto de estudos e de documentos alusivos às pinturas murais que Júlio Pomar fez no Cinema Batalha, no Porto, nos anos 1940. Julgadas perdidas para sempre, acabaram por ser descobertas e recuperadas em 2022.
Noutro núcleo, surge um conjunto inédito de retratos de Pomar, feitos por amigos, como Menez, Luísa Correia Pereira, Eduardo Luís ou Álvaro Siza Vieira. De salientar, ainda, um bestiário, de animais mais e menos estranhos, e duas das maiores e mais significativas telas da coleção: Navio Negreiro e Cartilha do Marialva. I.B. Atelier-Museu Júlio Pomar > R. do Vale, 7, Lisboa > T. 21 588 0793 > até 14 jan 2024 > ter-dom 10h-13h, 14h-18h > €2
3. Na Senda dos Leques Orientais, Museu do Oriente
Desde a sua introdução no Ocidente, o leque tornou-se num objeto de fascínio, muito além da utilidade mais básica de refrescar do calor, através do qual eram transmitidas mensagens sociais e culturais relacionadas com o luxo, exotismo, estatuto e poder.
A exposição que o Museu do Oriente lhe dedica, reúne informação sobre a origem e funções deste objeto em diferentes civilizações, a diversidade de formas, materiais e técnicas de fabrico, as dinâmicas de circulação e a importância económica do leque no comércio de exportação da China nos séculos XVIII e XIX.
Neste período, o leque atingiu o apogeu no Ocidente, onde passou a integrar a indumentária feminina nos bailes, salões e convívios sociais, sendo usado como forma de expressão discreta em jogos de sedução.

O percurso expositivo inclui núcleos dedicados aos leques chineses “mandarim”, plissados, “brisé”, comemorativos e japoneses, com materiais desde a madrepérola, marfim ou tartaruga, seda e papel, pintados com cenas coloridas e detalhadas com paisagens, jardins, cenas de corte ou temas históricos.
São 180 exemplares raros, provenientes da coleção do Museu do Oriente, de museus nacionais e coleções privadas, assim como objetos e documentos que ajudam a contextualizar o uso deste acessório. I.B. Museu do Oriente > Av. Brasília, Doca de Alcântara Norte, Lisboa > T. 21 358 5200 > até 10 set, ter-dom 10h-18h, sex 10h-20h >€6, grátis sex 18h-20h
4. Histórias de uma Coleção, Fundação Calouste Gulbenkian
Um mural, a lembrar as montagens oitocentistas, abre Histórias de uma Coleção na galeria principal da Fundação Calouste Gulbenkian. Uma espécie de aperitivo, erguido numa estrutura de madeira onde estão dezenas de obras, adquiridas desde os primórdios do acervo do Centro de Arte Moderna (CAM) a anos recentes, e que espelha os diferentes movimentos e práticas artísticas.

Na exposição, recordam-se não apenas 40, mas 65 anos de aquisições que têm vindo a dar forma a uma das mais importantes coleções de arte moderna e contemporânea em Portugal. O edifício do CAM inauguraria a 20 de julho de 1983, para mostrar o que os artistas estavam a produzir (em Portugal, não existia sequer um museu dedicado à arte do século XX). Mas a aquisição de obras pela Fundação Calouste Gulbenkian começa em 1958 por vontade do seu primeiro presidente, José de Azeredo Perdigão, no âmbito do apoio a artistas. A intenção era também reunir peças para serem apresentadas em exposições itinerantes, no País e no estrangeiro. I.B. Fundação Calouste Gulbenkian > Av. de Berna, 45A, Lisboa > até 18 set, seg, qua-sex e dom 10h-18h, sáb 10h-21h > €6, grátis dom a partir das 14h
5. A outra vida das marionetas, Museu da Marioneta

Marionetas com as mais diversas formas e proveniências vão sair da sombra e mostrar-se ao público, algumas pela primeira vez, nesta exposição que apresenta “coleções das reservas” do Museu da Marioneta.
Fundado em 2001, este museu tem tido a preocupação de, ao longo do tempo, ter uma prática de aquisição de marionetas a artistas e marionetistas, a colecionadores ou em leilões, e, além disso, foi recebendo várias doações.
Cada marioneta, de diversas partes do mundo, tem uma história para contar – relacionada com o mais habitual sentido lúdico e teatral ou, também, com rituais religiosos ou mesmo ações políticas e sociais. Podem não renascer voltando às suas antigas vidas animadas, mas pelo menos vão sair do esquecimento e ser apreciadas por todos os que, até 29 de outubro, forem a esta exposição. P.D.A. Museu da Marioneta > R. da Esperança, 146 > T. 213 942 810 > até 29 out, ter-dom 10h-18h > €3
6. Urban [R]Evolution, Cordoaria Nacional

A plataforma Underdogs junta-se à Everything is New para apresentar Urban [R]Evolution, uma viagem pelo movimento da arte urbana que reúne, na Cordoaria Nacional, 18 nomes nacionais e internacionais. Os trabalhos apresentados são originais e foram criados in situ por Felipe Pantone, Lee Quiñones, Barry McGee, Futura, Jason Revok, Maya Hayuk, Shepard Fairey e Swoon, e os portugueses ±MaisMenos±, Add Fuel, AkaCorleone, Nuno Viegas, Obey SKTR, Tamara Alves, Vhils e Wasted Rita. A exposição é acompanhada pelas fotografias da americana Martha Cooper, que tem vindo a registar o movimento desde os anos 1980 até à atualidade, nos EUA e no mundo. I.B. Av. da Índia, Lisboa > até 3 dez, seg-dom 10h30-19h30 > €6 a €15 (os preços variam entre os dias de semana e o fim de semana; há bilhetes para famílias) > informações em urbanrevolution.pt
7. Plástico: Reconstruir o Nosso Mundo, MAAT
Foi para exposições assim que nasceu, em 2016, em Belém, o Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia. Todas essas dimensões se cruzam (e podemos acrescentar-lhe a Ciência e o Ambiente/Sustentabilidade) em Plástico: Reconstruir o Nosso Mundo, uma coprodução do MAAT com o museu alemão Vitra Design Museum e o escocês V&A Dundee.

Sempre com os diversos materiais a que chamamos, genericamente, “plástico” como pano de fundo, há aqui uma narrativa clara, que nos faz sair do museu a pensar no futuro.
Tudo começa com uma instalação vídeo do arquiteto e designer Asif Khan (também responsável pelo design de toda a exposição): ao som de Strauss, somos levados pela maior das viagens, desde as origens da vida na Terra, com micro-organismos nos oceanos, até à era da exploração dos combustíveis fósseis e o regresso aos oceanos, desta vez habitados por microplásticos.
A exposição vai ilustrando cada fase histórica com objetos (do acrílico nos aviões da II Guerra às peças de Lego…), até chegarmos ao momento, há cerca de 50 anos, em que a superabundância de plásticos passou a ser vista como uma ameaça. Na secção final, espreitamos o futuro, com várias alternativas, mais sustentáveis, para substituir alguns dos plásticos que inundam as nossas vidas. P.D.A. MAAT > Av. Brasília, Lisboa > T. 21 002 8130 > até 28 ago, qua-seg 10h-19h > €9 (acesso a todas exposições)